No meio do Planalto Central, uma apaixonada por revistas.

Por Juliana Toscano

Há 20 anos, Izabel Cristina Lobo Castro, maranhense, de Bacabal, percorre os 19 km, que separam a sua casa para cumprir com um ritual: abrir, antes das 7 da manhã, a Banca São Camilo de Lélis, situada na entrada da Quadra 407 Norte, no Plano Piloto de Brasília. Reparo o brilho no olhar e o orgulho, quando conta a sua estória, lembrando que Brasília foi a primeira cidade grande que conheceu. A mudança se deu em função a transferência do marido para trabalhar na capital.

O lado de empreendedora surgiu em Brasília, já que em Bacabal, dedicava-se a cuidar dos filhos. Mas a paixão pela leitura e educação sempre a moveram. E essa é esta mesma paixão que alimenta a resistência em transformar a banca em espaço para venda de outros produtos, com exceção de água, refrigerante e sorvete. Quem conhece bem Brasília sabe que, durante o verão e o período da seca, o consumo desses produtos é sempre bem-vindo. Mas, mesmo assim, ela enfatiza: “banca é lugar para vender revistas, jornais. É um lugar de incentivar a leitura, de jovens, adultos”.

O trabalho na banca é dividido com a filha Jussara Cristina e, nos domingos, com o neto. É uma banca familiar e que também recebe muitas famílias. A jornaleira conta que, ao longo de sua jornada, já acompanhou crianças que cresceram, tornaram-se adultos, casaram-se e, hoje, levam seus filhos para a banca também. Enquanto falávamos, entra Martin – um jovem de cerca de 12 anos – segundo Isabel Cristina, cliente assíduo da banca, em busca de revistas de super-heróis.

Peço que ela deixe uma mensagem para os jovens leitores: “temos que torcer pelo progresso. Coisas novas surgem, é a lei da vida é essa. Você tem a internet, mas é muito gostoso ler em papel. Experimentem ler um livro, numa tarde, na varanda de casa. É uma delícia”. Izabel Cristina também deixa um recado para os pais, salientando que as crianças podem ser estimuladas e incentivadas a ler os gibis e HQs. Eles são a porta de entrada para o mundo da leitura.

O bate-papo termina, com um cafezinho oferecido por ela, saio com a certeza de que posso colocar redes sociais as seguintes hastags: #amorevistas #amoler.

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