Inovação e sustentabilidade no mercado editorial

29 de março de 2022

Homem de cabelo louro à frente de parede de cortiça e

Rodrigo Pipponzi é um dos criadores da Editora MOL e do modelo socioeditorial

Rodrigo Pipponzi, fundador da Editora MOL, esteve no Café com Aner desta tarde, para falar sobre a sustentabilidade. Responsável por um modelo inovador, que reverte a venda de produtos editoriais para instituições beneficentes e sem fins lucrativos, ele contou sobre o modelo de negócio, as vantagens e como enfrenta os desafios do dia a dia.

Criada em 2007, a MOL cria produtos para venda em caixas de redes varejistas com lucro revertido para as ONGS. São livros, álbuns de figurinhas, calendários, jogos, entre outros produtos, criados especialmente para cada cliente, entre eles o GRAACC.

Palmeirense de coração, praticante de esportes, Rodrigo fundou a MOL junto com a jornalista Roberta Faria. A ideia já era construir um novo modelo de negócio em que fosse possível usar os veículos de comunicação para transformar o mundo. Em março, lançaram a revista Sorria, a primeira publicação socioeditorial, em parceria com a Droga Raia.

“As edições se esgotavam rapidamente e conseguimos doar mais de R$1milhão para o GRAACC”, conta. “Naquela época se vendia revista na banca de jornal. Eu busquei a orientação do amigo Joaquim (Carqueijó, da Edicase) e ainda tentei uma conversa com a Dinap, mas não conseguimos fechar negócio, porque o modelo de negócio deles era muito complicado e burocrático”, conta Rodrigo, explicando porque prefere operar com redes de varejo.

“A microdoação é muito poderosa quando a gente consegue juntar as pessoas em prol de um bem comum”

Ano de 2013 exigiu mudança no negócio

Em 2013, quando o mercado de revistas começou a apresentar sinais de mudança, pela entrada do digital, a MOL perdeu seis dos sete anunciantes que cobriam parte das despesas da revista Sorria. Com isso, o modelo de negócio precisou se adaptar. Apesar da saída dos anunciantes, a MOL percebeu que o negócio com a Sorria era autossustentável, a partir da venda de exemplares para os leitores.

“Descobrimos que seria possível manter a estrutura funcionando mesmo sem os patrocinadores. O valor repassado ao GRAACC foi reduzido, para que a empresa pudesse manter a produção, mas ele continua existindo”, explica. “Continuamos doando e fomos transparentes como leitor. Isso nos deu fôlego para novos projetos. Hoje temos 14 redes ativas, cada uma com sua rede de produtos”, contou.

Com o tempo vieram outros negócios e ideias, produções que variam de acordo com o perfil de cada cliente. Desde 2008, a MOL coleciona números impressionantes. Já doou mais de 48 milhões para 152 ONGs e projetos sociais, criou 7 títulos de revistas e lançou 50 livros, vendendo mais de 22 milhões de exemplares de todos estes produtos.

“São 6 mil lojas e 100 mil funcionários que oferecem os produtos. É uma reinvenção do mercado de distribuição. Temos um local exclusivo nos caixas. Somos a ação social dessas marcas. Isso porque promover os produtos só aumenta a reputação da marca. O modelo se retroalimenta”, explica.

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Contato com novos parceiros

Uma recente pesquisa realizada pela MOL em duas redes parceiras mostrou que o comprador dos produtos sociais tem menos de 40 anos. A busca de novos parceiros para o trabalho leva em conta o interesse neste público que se importa com o social.

Nos primeiros contatos com as redes e canais correalizadores, Rodrigo destaca o impacto que a loja distribuidora dos produtos pode levar para colaboradores, para a comunidade e a própria marca, com as ações de responsabilidade social.

“A gente conduz uma ou duas conversas com as equipes de responsabilidade social, marketing e propõe um ponto de convergência entre o que os clientes querem escutar e o que nós temos a oferecer”. Conta, explicando que normalmente, de acordo com o perfil do cliente, encaminha um portfólio com ideias de produtos, que são aprimorados no dia a dia. “Não chegamos no varejo com o produto pronto”.

E como fazer quanto o cliente é resistente? A pergunta de Joaquim Carqueijó é respondida com sinceridade por Rodrigo Pipponzi:

Isso é muito presente no nosso dia a dia. Com a pandemia houve uma evolução interessante deste quadro, mas é muito perceptível nas primeiras conversas se a empresa tem o DNA social ou não. Nosso modelo de negócio não onera diretamente, mas indiretamente. Tem que treinar funcionário, tem que colocar produto que vai substituir o local de outros… na balança, as redes entendem que o custo vale à pena pela causa e pela imagem da marca. Mas quando sinto que eu tenho que convencer o parceiro de que meu negócio é bom e funciona, prefiro deixar de lado e buscar outro”, conta.

O Café com Aner é uma iniciativa da Aner para unir jornalistas e debater temas importantes para o mercado jornalístico. O encontro acontece sempre às terças-feiras, a partir das 15h. Para saber mais sobre as vantagens de se associar à Aner entre em contato pelo email aner@aner.org.br. A programação do Café com Aner pode ser acompanhada pelas redes sociais Instagram, e Facebook Aner.

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