Associações de jornais e revistas condenam tentativa do presidente de ridicularizar jornalistas

A Associação Nacional de Editores de Revistas (ANER) e a Associação Nacional de Jornais (ANJ) manifestaram “indignação e perplexidade” em relação à provocação feita pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) aos jornalistas que trabalhavam, na manhã desta quinta-feira (26), em frente ao do Palácio da Alvorada, em Brasília.

“Todos os representantes de veículos de comunicação, como quaisquer outros de serviços essenciais, desejariam estar recolhidos em isolamento com suas famílias neste momento de calamidade pública”, diz a nota. No entanto, a imprensa tem consciência de que deve, mais do que nunca, seguir no trabalho de informar a população”, enfatizam as associações.

“A triste provocação do presidente escarnece de todos aqueles que colocam a saúde em risco para prestar um serviço essencial aos brasileiros”, continua o comunicado. “As associações reafirmam que os veículos de comunicação brasileiros seguirão cobrindo todos os fatos relevantes para o país, atuando de forma construtiva para que, juntos, derrotemos o novo coronavírus”.

O presidente Bolsonaro questionou a presença da imprensa na saída do Palácio da Alvorada por riscos de contaminação da doença. Sem se aproximar do local onde jornalistas o aguardavam, Bolsonaro disse que eles deveriam estar em casa de quarentena.

“Imprensa, vocês estão aqui trabalhando. Tem que ficar em casa, pô. Quarentena, pô. Fica em quarentena em casa”, disse Bolsonaro. Enquanto o presidente falava, um ajudante de ordens filmava os profissionais.

“Atenção, povo do Brasil, esse pessoal aqui diz que eu estou errado porque tenho que ficar em casa. Agora eu pergunto: o que que vocês estão fazendo aqui? Imprensa brasileira, o que vocês estão fazendo aqui? Não tão com medo do coronavírus, não. Vão para casa. Todo mundo sem máscara”, falou Bolsonaro na gravação, dirigindo-se aos jornalistas.

Segundo recomendações do Ministério da Saúde, o uso de máscaras deve ser adotado por aqueles que possuem sintomas de síndromes respiratórias.

Em pronunciamento em cadeia nacional de rádio e televisão, na terça-feira (24), Bolsonaro criticou o rigor das medidas de isolamento que têm sido recomendadas ou determinadas no País para conter o avanço do novo coronavírus. Na fala, o presidente chegou a recomendar que “algumas poucas autoridades, estaduais e municipais, devem abandonar o conceito de terra arrasada”, em medidas como a “proibição de transportes”, o “fechamento do comércio” e o “confinamento em massa”. O fim do isolamento, no entanto, contraria recomendações médicas e vai de encontro ao que o próprio Ministério da Saúde defendia até ontem.

No último domingo, Bolsonaro publicou um decreto que inclui a imprensa na lista de serviços essenciais e vedou que trabalhadores desta área sejam proibidos de circular.

Leia mais em:

https://politica.estadao.com.br/noticias/geral,bolsonaro-debocha-de-presenca-da-imprensa-que-acompanha-sua-agenda-por-risco-de-coronavirus,70003249035

Selecionamos outros textos para você