WhatsApp: editoras perdem oportunidades por falta de equipe e estratégia

19 de agosto de 2021

Um diagnóstico publicado recentemente pelo pesquisador brasileiro Giuliander Carpes, doutorando em ciências da comunicação e informação na Universidade Toulouse III, mostra que as editoras brasileiras estão perdendo dinheiro por não usarem o WhatsApp como uma forma de engajamento com seu público. A pesquisa mostra que falta equipe para atender às demandas da nova ferramenta e que a demora nas respostas (que, em média levam três dias) geram frustração tanto nos editores quanto no público.

De acordo com o estudo, a migração da busca por notícias do desktop para os aplicativos de comunicação em grupo aumentou e continua com a tendência de crescimento nos próximos anos. A mudança começou quando o público descobriu as notícias pelo Facebook. Com o tempo e a mudança do algoritmo para restringir o acesso a notícias e aumentar a visualização de postagens de amigos, as pessoas começaram a procurar outras formas de atualização. Daí o WhatsApp como uma opção que vem crescendo.

Estudo analisou 18 canais de WhatsApp de 14 meios de comunicação brasileiros

O estudo se chama Como as organizações de notícias estão usando o WhatsApp para distribuir notícias e envolver o público no Brasil. A pesquisa foi conduzida pelo brasileiro Giuliander Carpes com o apoio do espanhol Enric Moreu, da Universidade de Dublin.

Eles analisaram 18 canais de mídia (grupos e listas de transmissão) mantidos por 14 meios de comunicação brasileiros no WhatsApp por 120 dias, entre 9 de novembro de 2020 e 8 de março de 2021, para entender como esse processo é realizado nesta mensagem aplicativo. Foram selecionadas 965 mensagens de um período de duas semanas (11 a 24 de janeiro de 2021) e realizadas entrevistas com 20 editores das organizações, a fim de entender a lógica por trás de suas estratégias para o WhatsApp.

Falta de equipe e de estratégia

As entrevistas revelaram que apenas um número muito pequeno dos editores tem uma equipe ou (mais frequentemente) uma pessoa designada dedicada à gestão e moderação do engajamento com usuários: é o caso de GZH , Tribuna do Paraná , Gazeta do Povo Aos Fatos. Alguns até possuem um número de celular diferente para receber e responder mensagens. 

Os editores afirmam que é um trabalho exigente e apenas as mensagens principais são efetivamente respondidas. Isso traz um outro problema que é a resposta de mensagens. O tempo entre o recebimento e a resposta pode ser longo (até três dias), o que gera frustração no público e nos próprios editores, que não conseguem atender a demanda. 

Outra falha é a falta de estratégia para utilizar o canal como um estímulo a programas de assinatura ou mesmo para a exibição de anúncios. Apenas uma minoria dos casos da amostra ( O Estado de S. Paulo , Aos Fatos , Seu Panorama , Correio Sabiá , UOL Economia +) usou o aplicativo para esses fins.

O projeto recebeu financiamento do programa de pesquisa e inovação Horizonte 2020 da União Europeia.

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