#Twexit, o convite da Parler para os extremistas e teóricos da conspiração  insatisfeitos com a moderação das gigantes digitais

MEDIA TALKS – DEZEMBRO DE 2020

Luciana Gurgel

Rede cresce embalada pelos seguidores de Donald Trump e teóricos da conspiração de movimentos como QAnon e antivacina.

“A pracinha da cidade, onde você pode falar e se expressar livremente, sem medo de ser ‘desplataformado’ por suas visões”.  É com esse argumento sedutor, remetendo à camaradagem reinante nos encontros de moradores de cidades do interior, que a rede social americana Parler recebe seus visitantes. A foto em destaque é a de uma jovem trajada em estilo country.

Não é por acaso. A rede, que preocupa muita gente pela liberdade que proporciona aos que promovem teorias da conspiração, desinformação e violência, vem crescendo sobretudo entre os conservadores americanos, apegados a valores tradicionais. A pandemia da Covid-19 e as eleições americanas ajudaram a turbiná-la.

Criada em 2018 e contando com mais de 10 milhões de usuários, seu alcance nem chega perto ao das plataformas gigantes. O Twitter tem 330 milhões. Mas a velocidade com que arregimenta seguidores merece atenção.

Citando dados da empresa de análise Sensor Tower, o Washington Post informou em novembro que a rede saltou do 1.023° para o primeiro lugar, em apenas uma semana, na lista de aplicativos mais baixados pela Apple Store nos Estados Unidos um dia antes das eleições presidenciais.

O jornal lembra que a Parler não está sozinha. Faz parte de um conjunto de fóruns, canais de vídeo e emissoras de TV como MeWe, One America News e Rumble, voltados para uma audiência conservadora. Mas o conteúdo não moderado de Parler − uma mistura de spam pornográfico, discurso de ódio vil e falhas de segurança − lembra, segundo o Post, os fóruns de liberdade de expressão mais antigos, que se tornaram ponto de encontro de extremistas violentos.

Não há moderadores de conteúdo. Como se vivessem em um mundo de fantasia, os executivos da Parler dizem que esperam que os usuários erradiquem as violações e corrijam informações enganosas por conta própria. “Nós, da Parler, não achamos que é nosso trabalho pensar por outras pessoas”, disse Amy Peikoff, diretora de políticas da empresa, ao Washington Post. “Queremos que as pessoas pensem por si mesmas”.

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