The Atlantic, New Yorker, Wired e Fast Company impulsionam mercado de revistas

ORBIS MEDIA REVIEW – 12/02/2021

ANA BRAMBILLA

Publicações de todas as partes do mundo viveram o “corona-bubble” de audiência online. Entre abril e junho de 2020, sites de revistas, jornais, portais de notícia eliminaram seus paywalls e viram as métricas subirem com fôlego. A boa notícia era que, em assunto de vida-ou-morte, o público confia mesmo é no jornalismo profissional.

A preocupação estava no momento de voltar a cobrar por acesso ou assinatura. Com a economia abalada, o público realmente se animaria a pagar por conteúdo depois de acessá-lo gratuitamente por algum tempo? The Atlantic foi um caso extraordinário já no começo de 2020 e converteu 36 mil assinantes apenas no mês de março, quando a contaminação já se espalhava por mais da metade do mundo.

Enquanto o mercado estremecia, The Atlantic comemorava. O restante do ano mostrou que a pandemia não seria suficiente para frear o bom momento do business. Felizmente, The Atlantic não estava sozinha.

As campeãs
Dez marcas de revistas norte-americanas tiveram desempenho positivo em todos os canais de circulação durante 2020, em comparação ao ano anterior. Entre elas, média de crescimento foi de +34% em desktop, +56% em mobile e +11% no consolidado print + digital.

Além da The Atlantic (+25% print+digital, +25% desktop e +38% mobile), a New Yorker registrou crescimento significativo (+20% desktop, +5% mobile e +13% print+digital), assim como a Wired (+19% desktop, +21% mobile, +23% print+digital). Elle foi outra marca conhecida dos brasileiros que teve algum êxito no mercado norte-americano, na faixa de +2%.

Formatos digitais x Mídia impressa
A circulação de 92 revistas norte-americanas em mobile cresceu +11%, o que não ficou muito atrás dos resultados positivos em desktop, que subiram +13%. Nos números absolutos, porém, o consumo no celular (627 milhões) é mais de quatro vezes maior do que no computador (148 milhões).

Apesar do crescimento, os formatos digitais ainda perdem em circulação para as edições impressas. A quantidade de leitores que preferem o papel é 16 milhões maior do que o grupo que lê pelo celular. No entanto, no suporte analógico, a queda de circulação é representativa e nem mesmo todo o crescimento em plataformas digitais é capaz de compensar essa perda. O consolidado print+digital apresentou resultado de -7% no comparativo entre 2020 e 2019 e atingiu 75% do mercado rastreado.

O movimento de forte queda no impresso acompanhado pelo aumento da circulação digital acontece em marcas que já existiram, existem ou estão por chegar ao Brasil:

Fast Company: +9% desktop, +37% mobile, -9% print+digital
Marie Claire: +13% desktop, +39% mobile, -21% print+digital
Vogue: +21,5% desktop, +38,5% mobile, -14% print+digital
In Style: +27% desktop, +3% mobile, -14% print+digital
Men’s Health: +33% desktop, +20% mobile, -7% print+digital
Women’s Health: +55% desktop, +38% mobile, -8% print+digital

Outras revistas mundialmente conhecidas tiveram um ano apertado ou negativo:

Time: +0,3% desktop, -12% mobile, -9% print+digital
People: -1,5% desktop, +1,5% mobile, -11% print+digital
Reader’s Digest (Seleções): -25% desktop, +13% mobile, -5% print+digital

Vídeo
Aos publishers que enxergam no vídeo o formato de salvação das revistas, o mercado editorial norte-americano emite um alerta: 38% dos principais títulos daquele país registraram queda de visualização.

Entre as marcas mais conhecidas estão Esquire (-37,2%), O Oprah (-64,7), People (-10,5%), Sports Illustrated (-80,5%), Time (-29,5), Vanity Fair (-4,8%), Vogue (-15,4%) e Wired (-9,1%). Até The Atlantic, que teve alta em todos os canais de circulação (desktop, mobile e print+digital) também caiu em visualização de vídeos (-2,4%).

Ainda assim, no índice geral, o formato vídeo teve um leve aumento de +1,7% em relação a 2019. As responsáveis pela melhora no cenário são quatro marcas que viram seus analytics dispararem nos players: National Geographic (+207,9%), Mother Earth News, da Ogden (+178,9%), House Beautiful, da Hearst (+151,1%) e Fast Company (+81,2%).

O relatório
Todos os dados acima constam no relatório Media 360º, publicado em dezembro de 2020 pela Alliance for Audited Media. O levantamento reúne dados de entidades como Ipsos, Comscore e outros institutos de monitoramento de circulação nos Estados Unidos e está disponível AQUI para download.

Imagem: detalhe do PDF do relatório.

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