Scrollytelling pode ser a saída para jornalismo reengajar público

MEDIA TALKS – 09/04/2021

Aldo De Luca

Com mídias sociais focadas em postagens curtas, veículos podem tirar vantagem desse tipo de narrativa mais longa e visual.

O advento da internet trouxe grandes problemas para as organizações jornalísticas tradicionais: primeiro, acabou com os monopólios geográficos que desfrutavam. Depois, aumentou exponencialmente a concorrência, permitindo que veículos online independentes passassem a oferecer conteúdo e disputar com elas a preferência do público.

Por fim, colocou entre elas e sua audiência um intermediário, já que a maioria das pessoas passou a se informar por meio das mídias sociais e dos agregadores de notícias.

Mas com as plataformas de mídias sociais focadas em postagens curtas, o scrollytelling, com seus materiais mais longos e elaborados, pode ser a compensação trazida pela internet como redenção para as organizações de notícias não dependerem tanto das mídias sociais, reengajarem seu público e garantirem sua sobrevivência. Esse caminho é defendido pelo cientista de dados Benoit Pimpaud, em artigo para o site UX Planet.

O que é o scrollytelling?
É a evolução do storytelling, a partir de sua combinação com o scrolling, ou seja, é a narração de histórias por meio da rolagem das telas de nossos dispositivos.

Mas antes vale esclarecer melhor o conceito de storytelling. Pense nesta matéria que você está lendo, no episódio de sua série favorita, no anúncio da TV ou nos tuítes que você acompanha: todos eles contam histórias. A storytelling, ou a narração de histórias, está em todo lugar.

Yuval Harari, autor do best-seller Sapiens, sentenciou que o “Homo Sapiens é um storytelling animal”. E que a prática de contar histórias surgiu com o próprio homem, fazendo com que a espécie passasse a acreditar nas mesmas histórias e assim cooperasse entre si e dominasse o mundo.

Forma de narrar é tão importante quanto o conteúdo
Tanto quanto o conteúdo, a forma de contar a história passou a se tornar importante. Logo se descobriu que por melhor que seja o conteúdo, o entendimento e a lembrança dos conceitos pode ser mais eficiente dependendo da maneira como as ideias são apresentadas.

O livro mais lido do mundo, a Bíblia, não teria feito tanto sucesso sem as parábolas. E assim a técnica de apresentação de ideias foi evoluindo. E sobreviveram as que melhor se adaptaram aos novos tempos, como já ensinava Darwin.

A narrativa do momento
Num mundo em que o celular e o tablet passaram a imperar com suas telas rolantes, Pimpaud ressalta que o scrollytelling tem se firmado cada vez mais como a forma de narrativa do momento. Não é algo novo. O conceito surgiu no início da década passada. Nos últimos anos, trabalhos memoráveis foram veiculados.

Veja este ótimo exemplo indicado por Pimpaud. Foi publicado pela National Geographic para comemorar o “Ano do Pássaro” em 2018 nos Estados Unidos. Clique na imagem para ver as estratégias migratórias de bilhões de pássaros de sete das principais espécies que habitam aquele país:

Leia aqui o texto na íntegra.

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