Sandra Boccia e as dicas sobre como criar projetos vencedores

05 de abril de 2022

Sandra Boccia deu dicas sobre como criar bons projetos. Imagem: reprodução de internet

 

Sandra Boccia, diretora Editorial da Editora Globo, esteve hoje no Café com Aner, conversando com editores sobre os bons projetos do mercado editorial. Entre conversas e insights sobre como elaborar e pôr os projetos em prática, ela falou sobre a importância de os profissionais de jornalismo deixarem de lado o preconceito contra os criadores de conteúdo e influenciadores, trazendo-os para trabalhos em comum.

A jornalista também falou sobre a importância de os profissionais de comunicação entenderem o novo momento do mercado editorial como um trabalho em conjunto, que precisa ser co-criado e sustentado por diversos stakeholders.

“A ideia não é minha e nem sua, é de um time. Porque o trabalho depende da empresa, do público que se quer atingir, de quem vai financiar a ideia, que podem ser patrocinadores ou sua própria audiência”, explicou, dizendo que hoje é importante saber convencer outros e torná-los aliados engajados no projeto, de forma que possa, efetivamente, acontecer. “Quem deixa o projeto vivo e continuamente interessante são os stakeholders e a audiência, que vão mostrar se a ideia merece viver ou se está fadada a morrer”.

Clique aqui e assista a íntegra do bate-papo

Influenciadores

 

“Ainda há um aprendizado em abraçar os novos conteudistas, que definitivamente não são adversários”

Embora sejam muito diferentes, porque o conteúdo é diferente de jornalismo profissional, o jornalista pode ter creators como aliados… não competindo, mas aliados à reputação de sua marca”, contou Sandra, citando o exemplo de um editor da Globo Rural que convidou influenciadores do agro para um lugar de destaque na entrega de uma premiação da revista.

“Cassiano Ribeiro é o editor-chefe da Globo Rural e ele convidou os influencers, que ficaram postando em suas comunidades as informações sobre o evento. Conseguimos reverberar o prêmio e a parceria foi boa para todos os lados. Qual patrocinador não gostaria de ver as informações sobre o evento de que ele participa circulando em comunidades interessadas? Eu acho isso raro de acontecer. Ainda há um aprendizado em abraçar os novos conteudistas, que definitivamente não são adversários”, destacou.

Plataforma Um Só Planeta

Sandra aproveitou para falar, junto com a história de criação da plataforma Um Só Planeta, sobre a necessidade de encontrar aliados para os projetos. A plataforma nasceu em janeiro de 2020, dentro da redação da Época Negócios, quando a pandemia dava os primeiros sinais de que mudaria as rotinas de todos e as notícias sobre meio ambiente já não eram nada animadoras.

“Estávamos assistindo pela TV os aviões da FAB indo resgatar brasileiros, vendo as ruas vazias na China… e naquele janeiro, como já era de hábito, cobrindo o Fórum Econômico Mundial. Então percebemos que clima não era só o assunto do dia. O tema vinha ganhando volume e vulto nos últimos anos. De repente o material não cabia mais em apenas uma edição.”

A ideia cresceu no debate de propostas dentro da equipe e amadureceu até ser levada para reuniões de diretoria. Contagiou os editores das outras revistas e ganhou força, comprovando a avaliação de Sandra:

“Outro segredo para um projeto virar realidade é ter aliados chave, dentro da organização”, afirma.

Compartilhar e encontrar benchmarks

Para quem ainda não sabe ao certo por onde seguir, Sandra sugere o compartilhamento de ideias, dores e observação dos empreendedores de sucesso.

“Eu vejo gente procurando outros pares, comunidades, em que tenham dores em comum para compartilhar. Vejo também quem encontre benchmarks… procurando quem já saiu do momento zero e conseguiu se erguer… identificar esse caminho é importante para crescer”, afirma, elogiando a iniciativa da Aner em criar os Cafés: “Vejo poucas iniciativas de compartilhamento entre jornalistas”.

Jornalistas e publicidade

Para jornalistas que estão buscando se adequar ao mercado, Sandra recomenda estudar as áreas de negócios e tecnologia.

“Os jornalistas pecam em ter essa cabeça mais metódica, por não saber fazer estudo de marcado e eu não falo só das redes sociais. Os empreendedores que conseguiram fazer girar uma startup de jornalismo e negócios, além de estudar a metodologia, trouxeram modelos de negócios que transbordavam da publicidade”, contou.

“Um dos maiores erros é tentar vier de publicidade… disputar com grandes plataformas, editoras, que têm seu modelo de negócios viabilizado pela publicidade… isso é desafiador. Uma das vertentes mais frágeis na formação clássica do jornalista é a de negócios, o saber viabilizar. Criar um produto não é só produzir um conteúdo maravilhoso, mas ter na cabeça como viabilizar isso”.

Diferentes formações na equipe

“Sócios e investidores que tenham perfis complementares são importantes. Se você tem só mais um editor na sua editora, tem uma red flag ali. Provavelmente vocês pensam muito parecido. Tem que trazer para o barco quem entende de tecnologia… quem entende de negócios… sem isso, nenhum papel editorial vai muito longe”.

Compartilhar e multiplicar

Deixar de lado a antiga mania de guardar segredos sobre como chegar a um sucesso. O conselho vem a partir da noção de que nada pode ser escondido por muito tempo, hoje:

“Vejo que no nosso meio não se tem tanto a cultura com compartilhamento, troca, colaboração. A gente aprendeu que é sempre o concorrente, o segredo. A nova lógica dos negócios subverte isso. Você só vai ser capaz de construir coisas interessantes se tiver o compartilhamento, a co-criação.”

O Café com Aner é uma iniciativa da Aner para unir jornalistas e debater temas importantes para o mercado jornalístico. O encontro acontece sempre às terças-feiras, a partir das 15h. Para saber mais sobre as vantagens de se associar à Aner entre em contato pelo email aner@aner.org.br. A programação do Café com Aner pode ser acompanhada pelas redes sociais Instagram, e Facebook Aner.

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