Revistas médicas britânicas publicam retratações e têm credibilidade ameaçadas

PORTAL IMPRENSA – 24/06/2020

Em junho, duas prestigiadas revistas científicas, ambas do Reino Unido, Lancet e NEJM (New England Journal of Medicine), retrataram-se de estudos publicados, a primeira em abril, sobre o remédio antimalárico endossado pelo presidente Trump – a hidroxicloroquina – que era perigoso para os pacientes e a segunda em maio, sobre um fármaco para pressão arterial que era seguro para pessoas infectadas pelo coronavirus.

As revistas citadas são consideradas como “bíblias” da medicina em todo o mundo médico, servindo de garantia e legitimação para os meios acadêmicos, o trade de saúde e a indústria farmacêutica.

O processo de revisão científica dos estudos virou escândalo devido à recusa da Surgisphere, empresa de dados médicos, localizada em Chicago, em fornecer os dados primários da pesquisa em amostras humanas, solicitados posteriormente à publicação, pelos assim intitulados “referees” traduzidos em português por revisores paritários.

Credibilidade em tempos de pandemia

A crise sanitária criada pela covid-19, elegeu a ciência como a autoridade máxima para todo o enfrentamento da pandemia. Políticos e gestores reafirmaram o primado dos agentes médicos no front da batalha para vencer o vírus. A função que as chamadas revistas científicas, tendo a Nature e The Science como carros-chefe, eram e ainda o são, âncora de certificação de que a comunidade da saúde está no caminho certo.

A literatura médica sempre foi fonte para as editorias de saúde das mídias de massa e das especializadas em divulgação de conhecimentos curativos e preventivos para a população. O problema da credibilidade da medicina “é muito fácil de perder e muito difícil de voltar”, disse o Dr. Jerome Kassirer, ex-editor chefe da NEJM. Ele reconhece a falha de sua revista.

Já o Dr. Richard Burton, editor do Lancet e o Dr. Eric Rubin, atual editor do NRJM, disseram em entrevista ao NYT que os estudos em questão “nunca deveriam ter sido editados” em suas publicações.

Contudo, insistiram em que o processo de revisão paritária estava funcionando e não deveria ser abandonado.

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