Revista é lançada para divulgar o trabalho de mulheres

O TEMPO – 31/08/2020

Aline Peres

Coletivo Várias Marias encontrou a alternativa para promover o empreendedorismo feminino durante a pandemia e reduzir a desigualdade de gênero.

As mulheres gastam, diariamente, 8,2 horas a mais do que os homens nos serviços domésticos, mesmo quando os dois moram juntos e trabalham fora, de acordo com levantamento social do IBGE, referente a 2018, divulgado em abril deste ano. Outro índice do órgão mostra que elas tiveram em média, em 2019, um salário 22,3% menor do que eles no mercado – R$ 1.985 contra R$ 2.555.

Com o objetivo de reduzir essa desigualdade de gênero, um grupo de feministas de Sete Lagoas, na região Central de Minas, formou o coletivo Várias Marias. Elas lançaram, no último dia 3, a “Revista da Mulher Trabalhadora”, com o objetivo de contribuir para a emancipação financeira das mulheres sete-lagoanas durante a pandemia do novo coronavírus.

A publicação traz um catálogo de serviços e produtos, todos geridos por mulheres, como lojas de acessórios e artesanato e padarias. “Nessa primeira edição, por exemplo, tem um artigo sobre microempreendedorismo individual. Já recebemos retorno de mulheres que tiraram suas dúvidas depois de ter acesso à revista”, conta a estudante de jornalismo Maria Paula Monteiro Machado, 21, uma das fundadoras do coletivo.

Segundo ela, a expectativa é que, a cada semestre, o grupo lance uma edição da revista, com novo catálogo. “Lançamos um questionário virtual para as mulheres da cidade se cadastrarem”, explica.

Como baixar
A revista pode ser acessada gratuitamente pelo perfil @coletivovariasmarias, nas redes sociais, e por meio do link https://bit.ly/Rev_MulherTrabalhadora1.

Feiras
Antes do periódico, o coletivo Várias Marias havia organizado duas edições da Feira Feminista, em setembro de 2019 e em março deste ano, na praça Tiradentes, no centro de Sete Lagoas. As primeiras feiras contaram com cerca de 40 expositoras, com venda de produtos artesanais e culinários e apresentações musicais, sempre protagonizados por mulheres.

“Estudamos sobre economia feminista e como as mulheres recebem salários menores, mesmo sendo arrimo de família. Pensamos em alternativas para valorizar e fortalecer o trabalho feminino e criamos primeiro a feira feminista, já com duas edições. A revista veio por conta da pandemia, quando a feira não era possível. A próxima edição (da feira) seria em setembro e aí começamos com o catálogo”, explica Maria Paula.

Histórico
Um protesto político, em 2018, em Sete Lagoas, foi o que reuniu as mulheres que atualmente formam o coletivo feminista Várias Marias. Desde então, o grupo criou perfis no Facebook, Instagram e Youtube e disponibiliza conteúdo informativo sobre o universo feminista.

“Utilizamos muito as redes no sentido informacional, mas também para fazer denúncias que chegam até nós. Em nossas publicações, explicamos termos do feminismo e esclarecemos o que, por exemplo, configura violência doméstica e relacionamento abusivo. Também temos espaço para a visibilidade lésbica e o feminismo negro, entre outros assuntos”, completou Maria Paula.

A idealizadora relata que o coletivo foi uma forma que ela encontrou para se unir a outras mulheres que defendem o mesmo ideal. “O feminismo às vezes é muito solitário. Quando encontramos outras mulheres, criamos mais forças”, conclui.

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