Pesquisa Reuters: maior desafio para jornalismo é indiferença dos leitores

13 de setembro de 2021

Instituto Reuters para o Estudo do Jornalismo (RISJ) divulgou o seu terceiro  relatório do Projeto Trust in News (Acredite nas notícias). De acordo com o estudo, o maior desafio para o jornalismo não é a hostilidade, mas a indiferença dos leitores. O documento é baseado em pesquisa realizadas no Brasil, Índia, Estados Unidos e Reino Unido e visa a ajudar editores interessados ​​em entender melhor seu público para ganhar a confiança e criar (ou manter) autoridade.

A crise na confiança na imprensa é comum a todos os países no mundo e abrange, também, algumas instituições e até mesmo os relacionamentos interpessoais. A chegada da pandemia colaborou para a recuperação de confiança no jornalismo, mas as polêmicas, desde as políticas até as disputas pelo futebol, invariavelmente respingam na imprensa. É comum ver jornalistas como alvos de ataques generalizados quando contrariam segmentos extremistas, tanto à esquerda quanto à direita.

Isso, somado à quantidade de tempo crescente que o público passa em redes sociais e aplicativos de mensagens instantâneas, só piora a situação. Na maioria das vezes, as mensagens transmitidas por estes veículos fornecem contexto limitado sobre as fontes de informação e quem passa os textos adiante não se lembra de onde vieram.

“A confiança nas notícias é importante especificamente para os jornalistas que desejam que as pessoas confiem em suas reportagens, para os meios de comunicação que dependem das pessoas que prestam atenção (e pagam) pelas notícias que produzem e para cada um de nós como cidadãos. Todos nós precisamos de fontes confiáveis ​​de informação para compreender e navegar em nossos mundos e considerar perspectivas fora de nossas próprias experiências pessoais estreitas”.

Institutos de pesquisa ouviram 2 mil pessoas em cada país

Para pesquisar amostras de aproximadamente 2 mil entrevistados por país foram escolhidos os institutos de pesquisas Datafolha (Brasil), Internet Research Bureau (Índia) e Kantar nos (EUA e Reino Unido). O Brasil foi único país onde a pesquisa foi feita por telefone, com os participantes selecionados aleatoriamente com base em seus números de celular. Nos outros países, foram realizadas online. Na Índia, o recrutamento complementar foi realizado por telefone e pelo aplicativo de mensagens WhatsApp para alcançar um maior número de pessoas que não falam inglês em cidades menores.

Veja alguns dos pontos mais importantes:

  • A confiança é maior em veículos que as pessoas já utilizam e conhecem. Confiança nos veículos online se torna mais difícil quando o usuário não é habituado às plataformas digitais.
  • Mesmo os usuários que geralmente confiam nas notícias veiculadas na imprensa têm uma visão bastante obscura das práticas jornalísticas básicas. Parte do público entrevistado em todos os quatro países têm opiniões muito negativas ou cínicas sobre como acham que os jornalistas fazem seu trabalho. Entre os exemplos de má conduta estariam permitir que opiniões pessoais influenciem a cobertura, aceitar pagamentos não divulgados de fontes ou tentar manipular o público deliberadamente.
  • Os que menos confiam nas notícias tendem a ser mais velhos, menos instruídos, menos interessados ​​em política e menos ligados aos centros urbanos.
  • Em todos os quatro países, há grandes disparidades entre os que confiam e os que não confiam que as organizações de notícias entendem pessoas como elas ou querem, de verdade, ouvir o público.
  • Pessoas que confiam nas notícias gostam de saber quem as escreveu, como conseguiu as informações e quais são as práticas editoriais dos veículos. Usam estes critérios para escolher quais veículos acompanhar. Já as pessoas que não confiam, são indiferentes a estas informações na hora de escolher quais as fontes de notícias usar.
  • A maioria dos entrevistados nunca interagiu com jornalistas e poucos disseram saber a diferença entre conceitos básicos do jornalismo, como a diferença entre um editorial e uma notícia, ou entre uma notícia e um comunicado à imprensa.
  • A baixa confiança na imprensa está conectada a grupos de pessoas menos favoráveis à liberdade de expressão e mais favoráveis à censura governamental.

Clique aqui para ver a íntegra do estudo no Instituto Reuters

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