Pandemia acelera estratégia de startups de jornalismo

MEIO&MENSAGEM – 14/05/2020

Salvador Strano

Os novos modelos de negócio de empresas jornalísticas já vinham tomando corpo nos últimos anos. A pandemia da Covid-19 acelerou essa movimentação e obrigou, inclusive, as próprias startups à uma correção de rota enquanto adaptavam seu modelo de trabalho ao home office.

Essa mudança fica ainda mais latente quando a oferta de conteúdo é em vídeo, como no caso do MyNews. Para a empresa, que utiliza o YouTube como principal plataforma e que contava com equipes em três estúdios, a mudança para a produção residencial foi imediata.

Ao fechar os estúdios e adotar o home office, “mergulhamos nesse mundo para agilizar a produção e aumentamos a nossa programação”, explica Mara Luquet, jornalista e sócia do canal. Desde o começo da quarentena, o MyNews inaugurou novos programas, como o diário Almoço na Quarentena e o Sextou.

O movimento, explica a executiva, é o resultado de uma demanda dos anunciantes do Canal para ampliar a relação entre as marcas e os espectadores. O número de inscritos do MyNews no YouTube alcançou 368 mil pessoas na quarentena, observando um aumento de dois dígitos em comparação às semanas anteriores ao isolamento social.

Para o Meio, fundado por Pedro Doria e Vitor Conceição, o aumento veio, principalmente, na base de assinantes premium da newsletter diária, seu principal produto. Antes da pandemia, o faturamento da operação vinha de dois pilares: assinantes (60%) e anunciantes (40%). Segundo Conceição, com a crise sanitária a verba publicitária sumiu. Isso fez com que o Meio avançasse em sua estratégia de conversão de assinantes em clientes premium.

“Começamos a falar ainda mais com os leitores, explicando a situação e pensamos muito em como gerar conversão. Desde o começo da pandemia, temos trabalhado muito nisso: em como trazer as pessoas para a assinatura paga. Temos trabalhado diferentes gatilhos ao mesmo tempo. Há chamadas na edição diária, e na de sexta-feira”. A última edição da semana, aos sábados, é exclusiva aos assinantes premium do canal.

Para isso, explica Vitor, o Meio tem buscado, também, ampliar sua base de assinantes não pagantes por meio de seu canal no YouTube, onde ampliou o número de programas com apresentação de Pedro Doria, editor e sócio do Meio.

Marcas e publicidade

Tanto o Meio quanto o MyNews atuam junto ao mercado publicitário. Nos dois casos, o principal formato é o branded content. Ao contrário do Meio, para o MyNews a pandemia não atingiu, ainda, o faturamento publicitário do canal, explica Luquet. Segundo a executiva, ainda há contratos anteriores à pandemia que estão no ar.

Uma das principais fortalezas do canal são as taxas de engajamento que os programas possuem. A taxa média de cliques por publicação, segundo a empresa, é 3,5% – para veículos jornalísticos, o normal é de que a variação de CRT seja entre 1,2% e 3%, segundo dados da consultoria AmplifyEverthing.com.

“O reposicionamento de uma marca precisa passar por nosso canal. Não somos um canal de lacração que vai viralizar com uma gaiatice, mas temos um público que cresce, é fiel e engajado”, afirma Mara.

Para o Meio, por sua vez, o engajamento também representa uma força estratégica junto ao mercado publicitário. Segundo Vitor, a taxa de abertura da newsletter diária é de 35%, contra uma média de 20% do mercado. “Temos trabalhado com um modelo de editoria patrocinada. Nela, entendemos qual a estratégia e os desafios de comunicação que o anunciante tem. Aí, então, pensamos como ajudar ele naqueles desafios”, afirma Vitor.

Recentemente, o Meio realizou esse tipo de parceria com a holding de laboratórios médicos Dasa, dona de marcas com Delboni e Alta, e no lançamento da Coca-Cola Plus Café Espresso.

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