O Futuro do Jornalismo em tempos de 5G

23 de novembro de 2021

Acordar de manhã, ligar o seu espelho himirror e saber das notícias do clima e do trânsito ao mesmo tempo em que recebe um relatório sobre a condição da sua pele. Tomar café enquanto vê no celular qual o melhor caminho para o trabalho e ouve a Alexa contar a primeira parte da matéria mais interessante do dia. Seguir ouvindo um podcast enquanto observa no smartwatch o placar do jogo de ontem à noite. Esse futuro está mais próximo com a chegada do 5G no Brasil e foi sobre ele que o professor Marcelo Barcelos conversou com os participantes do Café com Aner desta terça-feira, 23.

Jornalista, mestre e doutor em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), com tese sobre impactos da Inteligência Artificial (AI) e Internet das Coisas (IoT) na produção e distribuição de notícias, Marcelo tem dez anos como professor universitário (UFSC/Estácio/Unisul/Senac) de graduação e pós em Jornalismo, Mídias Digitais e Novas Tecnologias aplicadas à Comunicação. Ele falou um pouco sobre como as empresas de mídia devem se preparar para os novos tempos do 5G.

“Caminhamos para transformação sem precedentes. Venho acompanhando grupos de pesquisas e entrevistas com grupos de mídia independentes, conglomerados, big techs, cases de Facebook, Twitter… A plataformização do jornalismo já é uma realidade e é difícil encontrarmos saídas”, afirma, citando as dificuldades dos produtores de conteúdo no quesito remuneração por conteúdo publicado em redes e o delicado limite para os veículos que já usam robôs para produção de textos jornalísticos para sites de notícias.

Conexões cada vez mais intensas, cotidianas e constantes em todos os lugares

De acordo com Marcelo, a chegada da conexão mais estável e rápida trará novos gadgets para o dia a dia da população. Isso não só no alcance das mãos, como os relógios em que se pode ler notícias, conferir a pressão, atender uma ligação, ouvir música… ah e também ver as horas… Mas Atualmente, cidades como Nova York já têm mais de 60 mil sensores capazes de monitorar muito mais do que apenas a qualidade do ar e o tempo.

“Há câmeras e sensores que monitoram violência, tráfego e até mesmo áudio nas praças públicas para identificar pedidos de socorro ou agressões. Imaginem que a partir dessa sensorização eu crio um canal jornalístico em tempo real, alimentado diretamente por estes canais”, sugere. “Algoritmos, serão fontes de eletrônicas de informação. É certo que vão precisa do olhar crítico do jornalista, mas podem ser transformados em notas, boletins, com maior agilidade do que temos hoje na base das informações humanas”, destaca, lembrando que em Santo André, cidade do interior de São Paulo, já há o esboço de uma política de sensorização do espaço público.

5G: como as redações devem se preparar?

Apaixonado pelos temas Inteligência Artificial e Internet das coisas, Marcelo contou sobre as pesquisas e entrevistas que andou preparando e falou do livro “Jornalismo em todas as coisas”, originado de sua tese de doutorado, que mostra possíveis cenários para o jornalismo hiperconectado. Como preparação para este tempo — que para muitos, erroneamente, ainda pode parecer distante — ele recomenda exercícios de criatividade, em que os publishers comecem a pensar em como colocar seus conteúdos em locais cada vez mais próximos dos leitores e de forma constante, direcionada ao público de acordo com suas preferências.

“Será necessário começar uma reportagem no smartwatch, ir para Alexa, transferir isso para o Google auto e seguir ouvindo no carro como podcast. Temos visto essa fragmentação de conteúdo que o 5G torna mais possível que hoje”, afirma.

Marcelo também deixa um alerta para quem ainda pensa com a cabeça do offline:

“Parece tudo muito distante e muito ficção científica, mas está acontecendo e, de alguma forma, vamos ser impactados. O importante é tentar se antecipar, para que não se viva novo capítulo semelhante ao da chegada da internet, em que achamos que ia ser muito bacana, plural e virou um cercadinho… e hoje estamos tentando sobreviver e monetizar. É importante pensar: como antecipar e identificar oportunidade ou frear uma ameaça?

 

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