Mulheres vencedoras no Programa Acelerando com Aner e ANJ falam sobre seus desafios

09 de março de 2022

Arte com fotografias de quatro mulheres

Adriana Cury, Luciana Pianaro, Luciana Romano e Manuela Carta são mulheres inspiradoras à frente de empresas que tiveram projetos escolhidos pelo Programa Acelerando a Transformação Digital com Aner e ANJ

Na semana do Dia Internacional da Mulher, a Aner lembra quatro publishers inspiradoras, mulheres dedicadas às suas profissões, que tiveram projetos selecionados pelo Meta Journalism Project e pelo International Center for Journalists para receber uma mentoria especializada do Programa Acelerando a Transformação Digital com Aner e ANJ.

Adriana Cury, da Pais&Filhos; Luciana Pianaro, da Vida Simples; Luciana Romano, da Caras; e Manuela Carta, da Carta Capital, têm em comum o amor por suas criações e a determinação em fazer, de suas revistas, um referencial para os leitores que as acompanham.

Os trabalhos selecionados pelo Programa Acelerando foram avaliados e escolhidos por especialistas nacionais e internacionais, entre concorrentes de todo o Brasil. Antes de aplicarem os projetos, os publishers receberam treinamento com palestras sobre temas que envolvem tecnologia, jornalismo e produção de conteúdo.

Na imprensa, uma história de desafios

Desde o acesso ao direito de ler e escrever, as mulheres sempre tiveram que enfrentar barreiras e preconceitos. Até hoje a vida no segmento não é fácil, como mostra a pesquisa “Violência de Gênero contra Jornalistas”, da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji). De acordo com o estudo, 127 jornalistas e meios de comunicação foram alvos de 119 casos de violência de gênero, dos quais mulheres jornalistas (cis e trans) representam 91,3% das vítimas.

Além dos ataques externos, há ainda fatores como maternidade e domésticos para conciliar:

“O maior desafio não é na imprensa em si e sim, conciliar todos os papéis de uma executiva que trabalha muito e ama o que faz, com sua maternidade e vida pessoal”, afirma Luciana Pianaro, publisher da Vida Simples.

“Acho que o maior desafio continua sendo conciliar carreira com casa etc.”, diz Adriana Cury, diretora geral da Pais&Filhos. “Eu tenho uma particularidade: estou grávida de seis meses, então, neste momento estou começando a ver tudo isso, mas eu já imagino que não seja uma tarefa muito fácil conciliar filho, casa, casamento e trabalho. Eu acho que esse é o grande desafio da mulher na imprensa, ainda hoje”.

Para Luciana Romano, gerente de projetos e novos negócios da Editora Caras, o desafio está tanto na vida pessoal quanto na profissional:

“Acredito que o maior desafio hoje da mulher hoje é ser a melhor em todos os seus papéis, seja em sua vida profissional ou pessoal. É gratificante encontrar hoje mulheres em destaque nos seus segmentos, seja no jornalismo ou ocupando cargos altos de gestão dentro das empresas”.

Tecnologia: como acompanhar a evolução?

Dentro da profissão, as inovações tecnológicas preocupam, também. Segundo Adriana, A Pais&Filhos tem acompanhado a chegada de novas plataformas e formatos de comunicação. A revista está em praticamente em todas as redes sociais, incluindo TikTok, Printerest, Twitter, YouTube, e na Alexa, publica a Semana a Semana da Pais&Filhos. Tem uma rede de influenciadores com a Mind, especializada no segmento maternidade, que comercializa no mercado. Recentemente passou a fazer uma webstore no site da revista, uma iniciativa desenvolvida com o Google.

“A gente tem que fornecer ferramentas de trabalho para a equipe e treinamento qualificado, com um monitor ou coach que direcione todas as ferramentas que a gente precisa”, conta Adriana Cury, quando perguntada sobre como vem enfrentando as mudanças tecnológicas. “É necessário que os profissionais tenham iniciativa, que ‘pesquem’ o tempo todo, e que tenham liberdade para isso, com responsabilidade. Esse é o segredo do negócio: a autonomia e o mindset da equipe.”, afirma, em consonância com as palavras da gerente de produto da Quartz, Luciana Cardoso, no último Café com Aner.

Veja aqui um resumo da participação de Luciana no Café com Aner

A tecnologia também é uma constante na rotina de Luciana Pianaro, publisher da Vida Simples. Ela explica que, atualmente, o grande desafio é fornecer o conteúdo em diversos formatos para cada tipo de consumidor.

“O ‘lover’ ainda ama a revista impressa. Os mais jovens, querem conteúdos rápidos e fáceis de se consumir, como dicas ou vídeos. Estamos entendendo como fazer isso, analisando dados para sermos mais assertivos, e organizando investimentos para tal. A reinvenção exige adaptação ao comportamento dos dados, não tem outra forma”.

Ela dá dicas sobre como se organiza para manter o acompanhamento das inovações:

“É importante entender onde você está no momento e para onde precisa se locomover para acompanhar todas as mudanças, que são fundamentais à nossa sobrevivência e estruturar um plano (eu costumo fazer por trimestre) para implementação. O planejamento é importante para definir as prioridades. Não dá para fazer todos ao mesmo tempo. Estuda, define as prioridades, implementa, testa, ajusta e depois, parte para a próxima etapa”, ensina.

No Acelerando, projetos inovadores para as redações e equipes

No Programa Acelerando, a Pais &Filhos inscreveu um projeto de podcasts, que já tinha em estudo há algum tempo. A ideia é usar o financiamento de US$15 mil para construir um estúdio e receber convidados

A Pais&Filhos já tem alguma experiência com isso. No passado tivemos uma parceria com a Raquel Dourado e, mais recentemente, com a Rádio Bandeirantes. Agora, queremos montar um estúdio para trazer convidados e lançar o nosso projeto de podcast. Com o Programa Acelerando viabilizando isso financeiramente, a gente vai lançar esse novo projeto em breve.”, conta Adriana.

A Carta Capital está em busca de formas de medir a interatividade dos seus conteúdos com o público, nas diferentes plataformas em que opera. E a Caras quer desenvolver a nova marca Perfil.com, lançada no ano passado com conteúdo hardnews.

Já a Vida Simples tem um projeto para aumentar a produção de conteúdo digital. A ideia é estudar as melhores possibilidades e decidir, junto com os mentores, quais as melhores ferramentas e formatos para trabalhar.

“O Acelerando me ensinou muita coisa. Não sou jornalista de formação. Sou empresária. E participei de todas as sessões para aprender como funciona o jornalismo digital e ferramentas que precisamos usar. Para propor inovações precisamos saber o que fazer, baseado em informações reais e não em achismos. Releio todas minhas anotações e com base nelas, proponho as mudanças (aos poucos), com metas e KPIs de verificação. Estou estruturando todo um manual de operações já baseado em ferramentas que aprendi durante a mentoria”, comemora Luciana.

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