Mortes: Gênio das palavras, usou a crônica para fotografar São Paulo

FOLHA DE S.PAULO

Patrícia Pasquini

Pouco mais de três meses após a morte do radialista José Paulo de Andrade, foi a vez de Luiz Carlos Gertel, seu companheiro no dial por mais de 40 anos.

Em 1978, Gertel trocou a Folha da Tarde pela Rádio Bandeirantes AM e deixou a emissora em abril de 2015.

Entre as reportagens e os boletins sobre trânsito, estradas e transporte público, tornou-se um cronista da cidade. Marcou época em programas como “O Pulo do Gato”, “Primeira Hora” e “Jornal Gente”.

Ele saboreava as palavras para retratar o cotidiano de São Paulo. Gertel foi um mestre, que ensinou o bom jornalismo a várias gerações.

Nascido em São Paulo, era filho de Noé Gertel, jornalista, militante político e um dos fundadores do Partido Comunista do Brasil, e da tecelã e militante comunista Raquel Gertel.

Apesar de pacato, Gertel gostava do colorido. Seu bom gosto o fazia transitar da Bossa Nova até Beatles. “Sabiá”, de Tom Jobim, era uma das canções preferidas.

Uma queda foi o aviso de que a partida estava próxima. Foram 15 dias internados na UTI até o estado de saúde debilitar gradativamente.

Luiz Carlos Gertel morreu aos 74 anos, no dia 2 de novembro. Deixa a esposa Vera, o filho João Marcelo, a enteada Maria Rita, a nora Gabriela e o neto Francisco; e os também filhos, os cães Joca e Maricota e um coelho —Gertel era apaixonado por animais.

“Os meses da quarentena foram os melhores da nossa vida. A gente se amou mais, conversou mais. Acho que foi uma preparação. Eu me sinto muito abençoada”, diz Vera.

 

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