Maior evento de Transformação Digital do mundo discute práticas, negócios e gente

PROXXIMA – 05/06/2019

Gabriela Manzini (*)

Digital Enterprise Show, na Espanha, reúne comunidades de todo o mundo para discutir mais objetivamente em que a tão falada Transformação Digital pode de fato impactar nos negócios. E descobre: não é sobre tecnologia, é como extrair valor dela.

Não tem como falar de publicidade hoje sem mencionar os desafios que o mercado da comunicação e marketing enfrenta em produção de receita e mudanças nos modelos de negócio. Dentro disso, a Transformação Digital está tomando conta das preocupações dos líderes das organizações, tanto no “cliente”, quanto nas agências. Vivemos hoje a quarta revolução industrial, que tem sido moldada pela Transformação Digital.

Dentro dela, uma nova onda de possibilidades e soluções cresce, tais como soluções em nuvem, mobilidade, realidade virtual e aumentada, ciência de dados e analytics, machine learning, entre outras. Ambas tecnologias de conectividade e tecnologias avançadas de manufatura estão forjando novos caminhos rumo a novos setores de negócio e previsão de problemas empresariais a fim de gerir de forma mais eficiente o ciclo de vida dos produtos para melhor responder à demanda, com mais velocidade e ser competitivo no mercado.

Para Ignacio Álvarez Vargas, Director Técnico de Automatización y de Digitalización Industrial na Siemens, o mix de dados, eficiência, customização de equipamentos, conectividade e segurança integram as principais disciplinas de orientação quando se discute como se tornar mais competitivo atualmente. O executivo trouxe sua opinião no último encontro de líderes no Digital Enterprise Show (DES) 2019, edição anual do maior evento de Transformação Digital do mundo, que ocorreu no final de maio em Madri, Espanha.

Em termos de cadeia do negócio, do ponto de vista do anunciante, olhar a linha de produção e entender o que ocorre, gerir os fluxos e simular situações virtualmente é um dos aspectos que as empresas europeias têm utilizado dentro de suas estratégias de negócio. “Ter uma representação virtual do negócio ajuda sem ser prejudicial para o negócio de fato. Te permite ‘brincar’”, explicou Ramón Antelo, Managing Director World Class Center Anvander Manufacturing na Altran. A prática permite trazer um ecossistema mais abrangente para tomada de decisões de negócios e, consequentemente, ações que serão delegadas ao Marketing e Comunicação para com consumidores.

Já Alberto Martín, Head of Management Consulting na KPMG, em seus trabalhos acompanhando a transformação de negócios, ainda falta visão das empresas de entender onde querem chegar. “[E] Não tem como fazer isso sem uma mudança de mindset para mudar processos. Não adianta falar que será mais rápido e continuar da mesma forma, tem que mudar a forma de fazer as coisas”, completou Osmar Polo, CEO da T-Systems para Portugal e Espanha. Polo ressaltou a digitalização de processos e uso de plataforma de integração de processos para acelerar o trabalho dentro da equipe.

A dica é válida ainda para a agência que atende o cliente e não é à toa que a função de Gerente de Projeto (GP) tem se tornado estratégica para unificar a equipe e garantir a demanda do cliente. Afinal, a comunicação e o marketing dentro da nova revolução industrial não são mais departamentos isolados e apenas focados no criativo, como já foi no passado; as áreas precisam trabalhar em conjunto com foco nos objetivos de negócios — e, aí sim, a criatividade ser aplicada para a necessidade do negócio, que é customer-centric.

“O que importa não é aplicar a tecnologia, é conseguir performance e melhorias. E, para isso, você vai aplicar tecnologia. [É a] transformação de uma forma holística, a cultura digital da empresa. Transformação Digital é sobre pessoas”, acrescentou Martín.

Cada empresa descobrirá sua forma de fazer a Transformação Digital, no entanto, existem pilares que servem como base para auxiliar o processo. Em todos os casos, haverá degraus a subir, que vão envolver pessoas em seu cerne para fazer acontecer e tecnologia para otimizar.

Uma vez compreendidas as novas necessidades no negócio, repensados os processos e implantada a tecnologia para otimizar as novas operações, aí sim, chega o momento de inovar. O aprendizado para a Transformação Digital está em se tornar o dono do processo, desenvolver a cultura de trabalhar colaborativamente e quebrar silos. “Muitos têm a falta de processos porque falta a tecnologia para fazer isso. Uma vez que atingiu esse nível de eficiência, você tem que quebrar as barreiras [e inovar]. É sobre decisões, mas também é sobre o empoderamento das pessoas”, afirmou Jacobo de Silva, Partner Supply Chain and Operations Leader na EY.

O recado final vem de Henrik Von Scheel, criador do termo Indústria 4.0 e autoridade em estratégia e competitividade, também palestrante no DES 2019: “Transformação Digital é sobre ter uma melhor performance, melhores custos e melhor sistema operacional. Foque em negócios, pessoas e tecnologia em vez de produtividade”, pontuou.

(*) Gabriela Manzini é Head de Conteúdo do Digitalks e consultora corporativa.

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