Juiz proíbe divulgação de pesquisa eleitoral do Datafolha

O ESTADO DE S.PAULO

O juiz Marco Antonio Martin Vargas, da 1ª zona eleitoral de São Paulo, proibiu a divulgação de uma pesquisa de intenção de voto do Datafolha na corrida eleitoral pela Prefeitura da capital paulista. A decisão liminar atende a pedido da coligação do candidato Celso Russomanno (Republicanos). O instituto considerou a decisão “censura e ataque ao direito do eleitor de se informar” e vai recorrer. A Associação Nacional de Jornais (ANJ) protestou contra a decisão e disse esperar que ela seja “rapidamente revogada”.

“Ao que parece, a pesquisa eleitoral ora impugnada está em desacordo com a legislação e a jurisprudência eleitoral”, diz o juiz. Ele lista aspectos que, segundo advogados da candidatura, estariam em desacordo com a legislação. São citados: ausência de ponderação de entrevistados quanto ao nível econômico, fusão de estratos quanto ao grau de instrução e a simulação “tendenciosa” de segundo turno, por não haver cenários sem a presença do candidato à reeleição Bruno Covas (PSDB), líder nas pesquisas.

“O instituto Datafolha, com 35 anos de experiência em pesquisa eleitoral, utiliza os métodos consagrados da pesquisa estatística para apurar a intenção de voto dos cidadãos brasileiros. Chama a atenção a contestação ter vindo a cinco dias das eleições municipais e justamente da parte do candidato que mais pontos perdeu nos últimos três levantamentos”, informou o instituto em nota.

Também em nota, a ANJ repudia “mais um caso de censura judicial”. “A ANJ protesta contra a decisão e espera que ela seja rapidamente revogada, pois o acesso às informações contidas na pesquisa é um direito de todos os cidadãos, sobretudo dos eleitores paulistanos”, diz o comunicado. “Pesquisas eleitorais são elementos fundamentais na vida democrática e cerceá-las é afronta à própria democracia.”

O candidato vem caindo nas intenções de voto. Datafolha e Ibope, respectivamente, da quinta-feira passada e anteontem, apontam o candidato tecnicamente empatado com Guilherme Boulos (PSOL) e Márcio França (PSB) no segundo lugar.

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