Hoje, 41% dos jovens preferem o Snapchat, e 22% citam o Instagram como rede preferida

ÉPOCA NEGÓCIOS – 16/09/2019

MARIA CLARA DIAS

A vida conectada já é mais longa do que o dia útil. Jovens brasileiros dizem estar desconectados apenas ao dormir, quando seus aparelhos descarregam ou, em alguns casos — de novo: em alguns casos —, quando estão estudando e trabalhando. Essa é uma das conclusões da pesquisa ‘Juventudes e Conexões’, divulgada hoje (16) pela Fundação Telefônica Vivo.

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Em sua terceira edição, o estudo realizado pela Rede Conhecimento Social em parceria com o Ibope Inteligência analisou as respostas de jovens entre 15 e 29 anos de todas as regiões do país e todas as classes sociais — de A a E. Ao todo, 1.440 jovens responderam à pesquisa.

A pesquisa apurou a maneira como jovens enxergam a influência da tecnologia em seu cotidiano, as plataformas digitais que utilizam com maior frequência e o impacto da digitalização no dia a dia. Esses dados foram avaliados com ênfase em educação, empreendedorismo, comportamento e participação social.

Online e offline, de acordo com o estudo, não são mais condições dissociáveis. Não é mais possível estar “fora da internet”, segundo a análise dos consultores. Entre as principais definições do que é “estar conectado”, os entrevistados responderam inspiração, interatividade, novas fronteiras, equidade, entre outros.

Acesso
O celular se consolida como o principal aparelho para a conexão com a internet: 91% dizem preferir usar celulares e smartphones para tal. Enquanto isso, as televisões cresceram expressivamente em comparação com o último relatório, saltando de 6% para 31%. Pela primeira vez, relógios inteligentes alcançaram relevância estatística.

Em relação aos diferentes usos que jovens fazem da tecnologia digital, destacam-se em primeiro lugar, comunicação e lazer — duas respostas dadas em totalidade (100%). Em seguida, está acesso a informações e serviços (98%), capacitação e trabalho (98%) e comércio eletrônico (88%). Sobre as redes sociais, os jovens citam, espontaneamente, o Whatsapp, Instagram, Youtube e Facebook como as mais acessadas.

Educação
A pesquisa buscou traçar um panorama de percepção dos jovens sobre os usos da tecnologia como ferramenta de aprendizado dentro e fora das salas de aula.

De acordo com os jovens, ao se relacionar com a tecnologia, a escola ganha qualidades distintas. Em comparação com a internet, a escola é considerada como um ponto onde há menor distração, melhor direcionamento na aprendizagem e conteúdo com mais legitimidade. No entanto, é também vista como desatualizada, cansativa e comparável à uma “prisão”.

Enquanto isso, como pontos positivos, a internet conta com maior flexibilidade, linguagem mais jovem e explicação mais didática. Os pontos negativos são, entre outros, falta de credibilidade do conteúdo, falta de embasamento e informações desencontradas. Entre os principais desafios do uso da internet para a educação, está a falta de concentração nos estudos e atenção às aulas — com 33% e 37% das respostas, respectivamente.

Apostar na inovação educativa, ou seja, apoiar-se na educação como o caminho adequado para a criação de soluções para diferentes problemas sociais é, de acordo com a Fundação, a fórmula de atuação corporativa mais eficaz. “Temos a crença genuína de que, por meio da educação, será mais fácil combater questões de relevância, como o trabalho infantil, por exemplo”, diz o diretor-presidente da Fundação Telefônica Vivo, Americo Mattar. “Investir hoje na preparação de professores nesse mundo contemporâneo tão ágil é nossa prioridade. Não apenas prepará-lo para o ensino digital, mas oferecer toda a tecnologia e suporte necessário para a sala de aula”, afirma.

Empreendedorismo
Mais da metade dos entrevistados (51%) se consideram empreendedores. Isso acontece graças às novas considerações do que o termo de fato significa. Os jovens associam o ato de empreender ao de apresentar soluções, atuar com viés social, além de vendas de pequeno porte e intraempreendedorismo. “A nuance sobre o que é empreendedorismo está muito mais ampla. Hoje, os jovens já entendem que empreender vai muito além de abrir um negócio”, diz Mattar.

Neste tópico, a internet é vista como uma auxiliar valiosa. Entre os pontos destacados está a colaboração entre empreendedores (70%), estímulo à geração de novas ideias (51%) e ampliação da possibilidade de gerar um negócio de impacto social (43%). Além disso, os participantes também reconhecem a tecnologia como item indispensável para o sucesso de um negócio.

Comportamento
Outro indicativo relevante está relacionado ao comportamento, sobretudo na construção e percepção de identidade nos meios digitais. A influência da tecnologia na percepção pessoal foi tida como positiva para 30% dos entrevistados, que afirmam uma melhoria na relação consigo mesmo, reforçando a aceitação de características físicas, por exemplo. Contudo, mais da metade (57%) responsabiliza a internet pelo ‘boom’ de transtornos como ansiedade e depressão e pelo isoalmento dos jovens (60%).

Além do público analisado, o estudo também envolveu consultores, especialistas e acadêmicos envolvidos diretamente com o tema. No entanto, a pesquisa também concedeu papel importante aos jovens durante sua produção. “Mais do que ter os jovens como meros objetos de pesquisa, o estudo dá voz ativa e os transforma em protagonistas dentro da análise sobre o seu próprio estilo de vida”, diz Marisa de Castro Villi, diretora executiva da Rede Conhecimento Social.    

Participação social
O quarto — e último — eixo da pesquisa estuda a participação social (antes chamada de ativismo) na internet. De acordo com o estudo, essa participação se manifesta por meio de ações comunitárias, doações e a luta por direitos de humanos ou animais.

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