Guilherme Ravache: O novo mundo digital e o que isso tem a ver com jornalismo

13 de abril de 2022

No bate-papo com editores, Guilherme discutiu metaverso e outros temas sobre tecnologia a que os jornalistas devem ficar atentos

Metaverso, clickbait sensorial, AI, VR, AR, algoritmos, NFT… os termos são tão variados quanto as possibilidades no novo universo da tecnologia e das comunicações. Enquanto jornalistas e publishers ainda “remam” na tentativa de acompanhar as mudanças que a internet trouxe, principalmente com as redes sociais, para os modelos de negócios e estruturas das redações, o tempo não para.

E foi justamente para tentar reduzir essa angústia entre os jornalistas que Guilherme Ravache esteve no Café com Aner, em um bate-papo sobre Metaverso, inteligência artificial e as macrotendências do jornalismo, falando sobre tudo que ainda está por vir. Haja fôlego!

Jornalista a consultor internacional em assuntos relacionados à digitalização de redações e negócios de comunicação, Guilherme é o coordenador do Projeto Acelerando a Transformação Digital com Aner e ANJ, que ainda está em andamento, com a fase de mentorias (veja aqui quem está recebendo a mentoria). Com larga experiência e olhar sempre atento ao mundo digital e seus reflexos nos meios de comunicação, Guilherme começou a conversa mostrando as inúmeras possibilidades e termos que já habitam os nossos dias.

“Eu reuni algumas tendências que eu tenho observado e que não necessariamente são coisas que estejam no nosso dia a dia, mas que já impactam a maneira como o nosso negócio está sendo feito e que devem impactar cada vez mais”, explicou .“Nem tudo é visível num primeiro momento, mas o cenário está mudando rapidamente e ele começa a nos impactar de uma maneira às vezes até que a gente tem dificuldade de prever”.

O Tech Trends mostra algumas das principais tendências da tecnologia

Apresentação usou como base relatório do Future Today Institute

Em uma apresentação (clique e veja aqui) que descreve as principais novidades tecnológicas que podem impactar o jornalismo, Guilherme abordou tópicos como o já famoso metaverso, explicando que a novidade amplia as possibilidades de cobertura jornalística. O conteúdo foi criado a partir do relatório Tech Trends Report, do Future Today Institute.

“As redações vão ter que descobrir como fazer para cobrir eventos e avatares de personagens importantes, dignos de notícias”, alertou.

Outros pontos foram as nuances dentro das vendas de assinaturas digitais, com os veículos tendo que criar produtos cada vez mais específicos para os leitores; os avanços nas pesquisas por voz e dispositivos operados pela fala humana, que ameaçam estratégias de muitas empresas de mídia ainda não atualizadas com a facilidade na acessibilidade.

“A maneira como a gente sempre produziu conteúdo precisa mudar. Tudo que a gente sempre produziu basicamente foi pensado em texto e agora a gente precisa pensar em vídeo. Mas isso também está mudando rapidamente”, alerta.

Clickbait sensorial, robôs repórteres e educação midiática

Guilherme também chamou atenção para as estratégias como o clickbait, tática usada na internet para gerar tráfego online através de conteúdos enganosos ou sensacionalistas e que promove o descrédito do conteúdo na internet. Segundo ele, essa estratégia trará prejuízos ainda maiores aos veículos dentro do metaverso, por conta da expansão sensorial que a tecnologia permite como os óculos de realidade virtual, e a realidade aumentada, por meio do telefone celular.

Temas polêmicos como a inteligência artificial nas redações, com robôs escrevendo reportagens a partir de dados estruturados; a necessidade de alfabetização digital midiática da população; os comportamentos de boicote e cancelamento criados a partir da utilização das redes sociais e os movimentos de consolidação da mídia em grandes empresas, o que ameaça a cobertura jornalística em algumas comunidades, também foram abordados.

Ameaças digitais

Outro assunto que merece destaque e exige atenção dos publishers são as ameaças digitais. Guilherme citou os ataques que têm ocorrido a pessoas físicas e empresas, como a montagem de perfis falsos para derrubar contas de redes sociais e o sequestro de dados

“Este tipo de ação está cada vez mais frequente e tem impacto no jornalista. Tem um custo operacional, porque o tempo em que você está combatendo ameaça, poderia estar fazendo outra coisa. Grandes sites, como G1, globo.com, recebem inúmeros ataques diariamente. Em Portugal tivemos uma experiência com um jornal que teve todo o conteúdo roubado. O jornal ficou meses fora do ar… e isso tente a acontecer cada vez mais”.

Clique aqui e assista aqui à gravação completa de Guilherme Ravache no Café com Aner

O Café com Aner é um encontro promovido pela Aner todas as terças-feiras, a partir das 15h, sempre com um convidado relacionado ao meio jornalístico. O bate-papo pelo Zoom é gratuito e aberto a todos, associados e não-associados.

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