Google News Initiative avalia dois anos de atuação

PROPMARK – 19/11/2020

Leonardo Araujo

Desde que foi lançado em 2018, GNI já apoiou 1.190 organizações jornalísticas na América Latina, com US$ 26 milhões em financiamento.

Google ajuda redações com iniciativas como o Fundo Emergencial de Auxílio ao Jornalismo (Divulgação)
Desde que foi lançado em 2018, a Google News Initiative (GNI) já apoiou 1.190 organizações jornalísticas na América Latina, com US$ 26 milhões em financiamento. PROPMARK conversou com Henrique Matos, diretor de parcerias globais do Google Brasil, para saber mais da iniciativa.

Questionado sobre como o projeto trabalha para eliminar as fake news, Matos afirma que a maneira mais eficiente de se combater desinformação é com informação de qualidade e verificada.

Em 2020, a GNI investiu US$ 6,5 milhões em organizações de checagem de fatos e entidades sem fins lucrativos de todo o mundo, que trabalham no combate às informações falsas e enganosas sobre o coronavírus.

“No Brasil, apoiamos o Comprova, iniciativa que reúne 28 organizações de imprensa no combate à desinformação. A coalizão agora amplia o escopo do trabalho para combater a desinformação na área de saúde e os boatos relacionados à Covid-19”, destaca o diretor.

Matos também enalteceu a ajuda dada para a Agência Lupa no desenvolvimento do projeto Lupa na Ciência, que analisa artigos acadêmicos sobre Covi-19 e informa seu conteúdo com linguagem acessível ao público geral, e o Corona Verificado, uma base com fatos checados em língua portuguesa sobre o tema, traduzidos da plataforma LatamChequea Coronavírus, que conta com uma base de fatos checados produzidos em 18 países ibero-americanos.

“Renovamos, ainda, o nosso apoio à Rede Internacional de Checagem de Fatos (IFCN, na sigla em inglês), que continua colaborando com checadores de todo o mundo para defender as melhores práticas na área da verificação de informações. Essa parceria vai permitir uma nova visualização da base de dados resultante da checagem publicada pela CoronaVirusFacts Alliance”, revela Matos.

Perguntado sobre quais veículos brasileiros foram financiados, o executivo diz que o apoio da GNI se deu em diversas frentes e a lista de jornalistas e veículos parceiros é ampla.

“De acordo com o nosso recém-lançado Relatório de Impacto da GNI, mais de 72.500 jornalistas já passaram pessoalmente por algum dos diversos treinamentos feitos com redações em toda América Latina, desde 2015; quase 180 mil fizeram algum treinamento online. Em 18 países dentro da América Latina, foram mais de 1.190 veículos parceiros contemplados em algum dos programas, fundos, treinamentos e laboratórios da GNI”, revela.

Só neste ano, com o Fundo Emergencial de Auxílio ao Jornalismo,  o programa apoiou mais de 5.300 pequenas e médias redações jornalísticas de todo o planeta, sendo mais de 1.050 na América Latina.

“No Brasil, foram aproximadamente R$ 17 milhões destinados a mais de 380 veículos (lista completa), tais como Estado de Minas, Folha de Pernambuco e portal O Eco. O objetivo foi oferecer apoio a milhares de pequenas e médias redações para se manterem durante a crise, investissem na redação e continuassem, assim, a produzir conteúdo original voltado às suas comunidades neste período difícil”, explica o diretor.

Tomando como exemplos os diferentes Laboratórios executados pela GNI na região, o programa efetivou o Laboratório de Audiência, voltado a orientar veículos parceiros na aquisição de tráfego orgânico, engajamento dos usuários nos sites, e conversão em assinaturas. “Na edição atual, oito veículos de notícias compõem o Laboratório, sendo 4 deles brasileiros: Editora Abril, UOL, CNN Brasil e Estadão”, relata.

O executivo cita ainda o Laboratório de Publicidade, que inclui capacitação e consultoria com o objetivo de promover aumento de receita de ads e sites com melhor usabilidade. A iniciativa envolveu 35 veículos na região, incluindo brasileiros como A Gazeta, Estadão, Gazeta do Povo, RBS, Brasil247, O Antagonista, Jovem Pan, Metrópoles, e muitos outros.

“Na região, recebemos mais de 300 inscrições e financiamos 30 projetos em 10 países com um total de US$ 4,1 milhões. Só no Brasil, foram contemplados o Aos Fatos — que desenvolveu o Radar; o Congresso em Foco — que lançou o Radar do Congresso; AzMina — resultando na criação do Elas no Congresso; e o Reload, um novo meio voltado ao público jovem e criado por 10 organizações jornalísticas, como Agência Pública, Énois, Ponte e outros”, revela.

O propósito do GNI é que a ajuda do Google permita que os veículos se mantenham saudáveis financeiramente. “Fortalecer o ecossistema para garantir um futuro mais forte para o jornalismo, o que inclui o desenvolvimento de modelos de negócios sustentáveis para a indústria no contexto digital”, enaltece Matos.

O executivo também destacou a retomada do GNI Startup Lab. “O programa que foi anunciado no início do ano, mas ficou suspenso durante a pandemia. Em novembro, ele foi retomado em formato 100% digital”, comenta.

O diretor também relembra da parceria entre Google for Startup, Insper e Echos, que oferece mentoria e treinamentos em estratégia, produto, modelos de negócio, vendas e marketing, construção de comunidade e levantamento de fundos. “Todas as startups jornalísticas receberam US$ 20.000 em apoio financeiro para desenvolver seus projetos”, completa.

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