“Futurismo não é ficção científica”

PROXXIMA – 18/07/2019

Luiz Gustavo Pacete

O termo futurismo vem se tornando cada vez mais frequente em grandes empresas. Seja por meio de dinâmicas de aprendizagem, eventos de imersão, ou atividades makers.

Tiago Mattos, cofundador das escolas de metodologias criativas Aerolito e Perestroika, também membro do corpo docente da Singularity University, dos Estados Unidos, se dedicou, nos últimos anos, a levar as aplicações do futurismo para as dinâmicas de transformação digital e processos de inovação em ambientes corporativos.

Entre as empresas com as quais já atuou falando sobre o tema estão Coca-Cola, Unilever, Oracle, Bradesco, Ambev e Gerdau. Tiago explica que a disciplina vem sendo demanda por empresas em processos de transformação digital e que, de alguma forma, vivem a corrida por agilizar dinâmicas, processos e culturas. “Muitas pessoas enxergam no futurismo a possibilidade de usar modelos mentais diferentes para resolver problemas”, explica.

Meio & Mensagem – O que é futurismo, como se define essa disciplina e por qual motivo se fala tanto dela?
Thiago Mattos – Futurismo é um campo que se ramificou da Futurologia. O termo se consolidou como um “braço independente” depois dos avanços tecnológicos pós-digitais. Sendo uma área nova, é até difícil encontrar uma definição unânime, tenho uma definição autoral que é: “futurismo é uma disciplina que investiga, explora, traduz e acelera as possibilidades futuras no tempo emergente e pós-emergente”. A ideia é observar como as evidências encontradas na ciência, na tecnologia e no empreendedorismo e mundo dos negócios podem afetar a cultura, os novos comportamentos e as novas estruturas da sociedade – aumentando nossa consciência e, assim, nos ajudando a tomar melhores decisões para gerar impacto positivo no mundo de hoje e de amanhã.

M&M – Futurismo envolve ciência? Teoria? Pesquisa? Quais os elementos que compõem essa disciplina?
Mattos – Futurismo se diferencia de atividades de exploração de futuros (como o coolhunting ou a pesquisa de tendência) justamente por esse recorte mais focado em ciência, tecnologia e negócios. Também se diferencia de outras áreas (como a ficção científica) por ter uma responsabilidade comercial, por ter um viés orientado ao mercado – coisa que pesa menos nas provocações artísticas. Há muita pesquisa do que está acontecendo no mundo. Há muitas teorias de futuristas para serem absorvidas. Há curvas de tendência e padrões matemáticos para serem levados em conta constantemente. Há um lado extremamente racional e técnico, mas também há um espectro mais intuitivo e exploratório.

M&M – De que maneira o futurismo ajuda a entender os desafios atuais da sociedade e como ele pode ser útil?
Mattos – É curioso, mas 99% dos briefings que recebemos são: “Somos a empresa X, uma das líderes do segmento Y. Temos tido muito sucesso no segmento Y ao longo de algumas décadas. Mas, nos últimos anos, sentimos os impactos das mudanças do mundo. Queríamos ouvir vocês para entendermos melhor o que são essas mudanças e quais as sugestões de vocês de como devemos nos posicionar”. Então, é justamente nesse espaço que nós trabalhamos: ajudando indivíduos e organizações a absorverem o mindset digital e pós-digital. Tentamos fugir dos clichês da “nova economia”.

M&M – Muitos profissionais da publicidade procuram a disciplina?
Mattos – Muitos profissionais de comunicação estão largando a comunicação para se dedicar a esse universo. No meu ponto de vista, a agência de publicidade sempre foi o local onde os clientes buscavam novidades, inovação e caminhos para disrupção. Não apenas na comunicação – mas, muitas vezes, para o posicionamento do business como um todo. Acontece que o negócio ‘Agência de Publicidade’ mudou muito pouco. E, hoje, elas próprias nos procuram atrás de respostas.

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