Folha foi o 1º jornal brasileiro a ter espaço fixo para correção de erros

FOLHA DE S.PAULO

Naná DeLuca

“Assunto: Erramos
Caros, podem verificar?”

É assim que costuma ser o email que nenhum jornalista da Folha quer receber em sua caixa de entrada. E, no entanto, é uma destas inevitabilidades do ofício: erramos.

O Manual da Redação da Folha prevê um caminho para a notificação do erro e estabelece a política de transparência com os próprios tropeços: os leitores devem sempre ser informados dos erros e suas correções, mesmo que eles não os tenham percebido.

Embora o jornal siga protocolos para ser o mais preciso possível, erros acontecem por diferentes razões, como pressa, desconhecimento ou falta de revisão.

Daí a importância da seção Erramos, que promove lisura no processo de retificação, facilitando o acesso do leitor às imprecisões, graves ou não, cometidas pelo jornal.

Ao mesmo tempo, abre canal de diálogo com o leitorado, que pode notificar o jornal quando detectar uma incorreção. Todos os apontamentos enviados pelos leitores são verificados e, se confirmados, corrigidos.

Não é raro que própria Redação se dê conta dos erros cometidos, mas, em geral, as incorreções são apontadas pelos leitores, que escrevem para a ombudsman ou diretamente para as editorias.

Em 1991, quando estava prestes a completar 70 anos, a Folha se tornou o primeiro jornal brasileiro a ter um espaço fixo dedicado inteiramente à retificação dos próprios erros.

A criação da seção era um desdobramento das mudanças iniciadas na década anterior com a implantação do Projeto Folha, que inovou as propostas editorial e gráfica do jornal.

Em 17 de fevereiro de 1991, além de lançar cadernos como Mundo e Dinheiro (hoje Mercado), a Folha passou a reservar o pé da página 3, abaixo do Painel do Leitor, para a seção Erramos.

A Folha se modernizou de forma expressiva a partir de 1984, quando Otavio Frias Filho (1957-2018) assumiu a Direção de Redação. Houve, por exemplo, um investimento maior em infográficos. É também nessa época que o cargo de ombudsman, jornalista responsável por dar voz às críticas de leitores, foi criado.

Na versão online, os textos são corrigidos assim que o erro é constatado. Ainda assim, a publicação mantém de forma definitiva uma indicação de que houve retificação.

Leia abaixo uma seleção de correções de erros embaraçosos publicados nos últimos 30 anos:

LUTA DE CLASSES
A reportagem “‘Tudo pela audiência’ retorna rindo de si” informou incorretamente que Val Marchiori é socialista. O termo correto é socialite. (8.mai.2017)

DROGAS
Diferentemente do que informou o editorial “Sobre duas rodas”, a CET é a Companhia de Engenharia de Tráfego, e não de Tráfico. (1º.nov.2000)

VALE DO SILICONE
Diferentemente do que foi publicado à página 2-9, de 29 de maio, na reportagem “Estrutura política do Brasil é um desastre”, a região da Califórnia, nos Estados Unidos, onde se concentram as indústrias de computadores, é conhecida como Vale do Silício. (18.jun.1994)

BARATAS
A chamada desta reportagem no Twitter informou incorretamente que a Nasa quer levar baratas para Marte.

JUIZ NÃO PEDE
“O título ‘STF pede a prisão de PC’, publicado ontem na página 1-4 do caderno Brasil, está errado. Juízes e tribunais não pedem, mas ordenam, mandam, decretam. (7.ago.1993)

HERESIAS
Diferentemente do que foi publicado no texto “Artistas periféricos passam desapercebidos”, à página 5-3 da edição de ontem da Ilustrada, Jesus não foi enforcado, mas crucificado, e a frase “No princípio era o Verbo” está no Novo, não no Velho Testamento. (7.dez.1994)

REUNIÃO SEM FIM
A reunião do ministro Eliseu Resende com sua equipe durou quatro horas e não quatro anos, como foi publicado no caderno Brasil de 28/03. (30.mar.1993)

LORCA RESSUSCITA
O escritor Mario Vargas Llosa é um dos latino-americanos que participarão no dia 17 do seminário ‘Europa e América 1492-1992, o Confronto de Duas Civilizações’, em Turim (Itália), e não Federico García Lorca, como foi citado na edição de ontem da Ilustrada. Lorca era espanhol e morreu em 1936. (9.mai.1991)

ENGLISH
No texto “Stones chamam neoconservadores americanos de hipócritas em canção”, a expressão ‘you’re full of shit’ foi traduzida incorretamente como ‘você é cheio de merda’. A tradução mais apropriada seria ‘você é muito metido’ ou ‘você está mentindo’. (22.ago.2005)

EX
O texto “Courtney Love mostra seio, xinga colega e ameaça abandonar palco” referiu-se incorretamente à cantora como ex-viúva do músico Kurt Cobain (1967-1994). (15.nov.2011)

CELEBRIDADE
Por erro de edição, o nome do poeta Rainer Maria Rilke (1875-1926) foi incluído indevidamente sob a vinheta “Boas-festas”. Ele não enviou cartão à Folha. (28.dez.2006)

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