FACEBOOK E INSTAGRAM INVESTEM EM COMBATE A MOVIMENTO ANTIVACINA

ÉPOCA – 09/09/2019

CRISTINA TARDÁGUILA

Quando o assunto é combater o avanço do movimento antivacina, gigantes como Facebook, Instagram, Youtube e Amazon parecem dispostos a não economizar energia.

Na última quarta-feira (4), o time de Mark Zuckerberg anunciou que, sempre que os usuários buscarem por “vacinas” nas duas redes sociais, receberão informações imediatas de onde obter respostas cientificamente corretas sobre aquilo que buscam. Trata-se de uma parceria que a empresa selou com a Organização Mundial de Saúde. Os usuários serão direcionados a páginas que a entidade mantém em diversas línguas. O mecanismo já funciona nos Estados Unidos e deve chegar ao Brasil “nas próximas semanas”, informa a assessoria de imprensa do Facebook.

“A difusão de informação errada sobre as vacinas é uma enorme ameaça à saúde mundial e pode nos levar a retroceder décadas na luta contra doenças que podem ser evitadas”, destacou, em nota , o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, no dia do anúncio. “Muitas doenças debilitantes e mortais podem ser combatidas de forma eficaz com vacinas: o sarampo, a difteria, a hepatite, a poliomielite, o cólera, a febre amarela e a gripe, por exemplo. As grandes empresas digitais têm que ser responsáveis com seus usuários: garantir que tenham acesso a dados verídicos sobre vacinas e saúde”.

Dados do Programa Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde mostram que vacinas importantes não têm atingido a cobertura idealizada entre a população. É o caso, por exemplo, da tetra viral, que previne sarampo, caxumba, rubéola e catapora. A meta é que ela seja aplicada a 95% da população, mas, em 2017, o índice de cobertura foi o menor já registrado: 70,69%.

Em 2016, o Brasil foi considerado território livre de sarampo – e pode perder esse certificado. Um surto da doença afetou 10 estados e o Distrito Federal recentemente, levando ao registro de 10.262 casos de sarampo. A maior parte deles em Roraima e Amazonas.

Os dois dados acima dialogam com o aviso do diretor-geral da OMS. O retrocesso é um risco.

Não há dúvidas de que as redes sociais e as gigantes da internet estão atentas para o assunto. Em fevereiro, depois de algumas reportagens do site BuzzFeed , o YouTube anunciou um esforço para proibir a inserção de publicidade (e logo monetização) em qualquer vídeo ou canal que promovesse conteúdos antivacina.

Em março, foi a vez da Amazon. Após reportagens da CNN , a empresa retirou do cardápio de seu serviço de streaming, o Amazon Prime Video, uma série de documentários sobre o mesmo tema.

Medidas que implicam a retirada de conteúdo de plataformas são sempre polêmicas e costumam não dialogar com os princípios dos checadores. Como se sabe, a missão da comunidade internacional de fact-checkers é buscar e oferecer mais dados e mais informações de qualidade para que os cidadãos possam tomar melhores decisões por si só. É por este motivo que a medida adotada pelo Facebook em parceria com a OMS é algo a ser comemorado.

A busca por informações relativas a vacinas é constante e diária. Saber que gigantes como Facebook e Instagram direcionarão usuários para bancos de dados e páginas robustas como as mantidas pela OMS traz certo alívio – mas, de forma alguma, encerra a questão.

Na nota que emitiu sobre o assunto, o diretor-geral da OMS pediu também que os governos se somassem a essa luta. “Estas iniciativas vistas no mundo virtual devem ser acompanhadas por medidas tangíveis adotadas pelos governos e pelos setores de saúde em várias partes do mundo”.

Será que não é hora de o Brasil pensar em uma ação séria e estruturada – entre governo, empresas e sociedade – para combater o movimento antivacina ativo em português? Não há dúvida de que os checadores iriam aderir a esta proposta.

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