Exército exige retratação da Revista Época após artigo que acusa corporação de “matar brasileiros”

PORTAL IMPRENSA – 19/01/2021

Deborah Freire

O Exército enviou uma carta à editora-chefe da Época, Ana Clara Costa, onde “exige imediata e explícita retratação” da revista por um artigo publicado no domingo (17) na coluna de Luiz Fernando Vianna. Ele acusa a corporação de agir para “matar brasileiros”, tendo em vista a atuação do general Eduardo Pazuello, como ministro da Saúde durante a pandemia de coronavírus.

O articulista afirma que “em vários momentos da nossa história, o Exército brasileiro se pôs a matar a população em grande quantidade”, e cita a Revolta de Canudos, com milhares de mortos, e o regime militar (1964-1985), quando militares foram acusados de torturar e assassinar cidadãos.

Vianna escreve que, apesar de ter se adequado ao seu papel constitucional após a redemocratização, o Exército voltou recentemente a se envolver fortemente na política, agindo para pressionar a Justiça, como na ação do Supremo Tribunal Federal contra o ex-presidente Lula, e atualmente, com a ocupação de cargos importantes do governo Jair Bolsonaro por militares, que segundo ele, teve efeitos de um massacre na área da saúde.

“No momento, o Exército participa de um massacre. Um general, Eduardo Pazuello, aceitou ser ministro da Saúde mesmo, como admitiu, sem saber o que é o SUS (Sistema Unificado de Saúde). Suas credenciais eram as de um craque da logística. Ele pode ser bom em distribuir fardas e coturnos, mas, como estamos vendo, não sabe salvar vidas”, escreve o articulista.

Para Vianna, a questão da vacinação contra o coronavírus não se trata de um caso isolado, ao contrário, “Bolsonaro o nomeou para que ele [Pazuello] as fizesse”. E por fim, acusa o Exército de instigar a mobilização de civis contra os poderes Legislativo e Judiciário.

“Indignação”
O Exército afirmou ter recebido o texto com indignação e repúdio, conforme declarou em carta enviada à Época.  Disse que a argumentação de Vianna revela “ignorância histórica e irresponsabilidade, não compatíveis com o exercício da atividade jornalística”.

A corporação pediu que a Revista “afaste qualquer desconfiança de cumplicidade com a conduta repugnante do autor [do artigo] e de haver-se transformado em mero panfleto tendencioso e inconseqüente”.

Segundo o Exército, o comportamento de Vianna foi “leviano e possivelmente criminoso”, e diferente do texto publicado na revista, afirma que tem se empenhado para preservar vidas “estendendo a Mão Amiga”.

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