Entidades internacionais lançam campanha para cobrar apoio dos governos a veículos impressos

PORTAL IMPRENSA – 21/09/2020

A Federação Internacional de Jornalistas (IFJ) e a UNI Global Union lançaram na sexta-feira (18) uma campanha emergencial de apoio aos veículos de mídia impressa, para evitar a falência de milhares de empresas de comunicação e a demissão de centenas de milhares de profissionais em todo o mundo por queda na receita com publicidade.

As entidades, que representam os sindicatos de jornalismo, criaram um projeto chamado “Pacote de resgate e sobrevivência futura para a indústria de mídia impressa”. Trata-se de um esforço para pressionar os governos a adotarem medidas de resgate para a mídia impressa como um todo (jornalismo, publicação, impressão e distribuição).

Além disso, a proposta é cobrar que sejam criados impostos sobre serviços digitais para gigantes da tecnologia, como Amazon, Google e Facebook, que hoje recebem a receita de publicidade antes destinada aos meios de comunicação.

“Essas empresas [de mídia impressa] – e as pessoas que trabalham para elas – são colocadas em desvantagem pela fraude fiscal injusta, que rouba a receita de publicidade para grandes empresas de tecnologia. Estamos pedindo aos governos que intervenham para garantir que as pessoas que produzem e distribuem as notícias das quais dependemos recebam uma parte justa”, defende Nicola Konstantinou, chefe do setor Gráfico e Embalagem da UNI Global.

A crise da Covid-19 acelerou o declínio do setor, que já sente há décadas a redução de receita proveniente de anúncios. De acordo com a IFJ, só este ano, o faturamento caiu 20%. Ao contrário desse cenário, em 2018, o Google, por exemplo, ganhou US$ 4,7 bilhões com notícias – dinheiro não compartilhado com os jornalistas que as produziram.

“A atual crise de saúde global está aumentando significativamente as grandes dificuldades enfrentadas pelo setor de mídia impressa”, afirma Anthony Bellanger, secretário geral da IFJ. “Os governos precisam reagir com urgência. O setor é um bem público e um pilar fundamental de nossas democracias. Os governos estão bem cientes disso. De fato, com a crise da Covid, eles identificaram o setor como essencial. Hoje, eles não podem ficar apenas vigiando o navio afundar de suas varandas”, cobra.

As entidades querem que os governos nacionais intervenham para proteger os empregos da mídia e salvaguardar o setor. A IFJ e a UNI adotaram um apelo conjunto dirigido aos governos, e os sindicatos que são membros dessas federações usarão os pontos presentes no documento para obter apoio à mídia.

“A saúde de nossas democracias depende de responsabilizar as pessoas no poder, e os jornalistas são os que, na maioria das vezes, destacam os abusos do poder político e corporativo da confiança pública”, disse Christy Hoffman, secretária-geral da UNI Global União. “A mídia impressa desempenha um grande papel na disseminação dessas informações e no apoio aos componentes online do jornalismo”.

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