COMO O FACEBOOK TENTOU FREAR A DESINFORMAÇÃO NO BRASIL EM 2018 — E FALHOU

ÉPOCA – 03/09/2019

No ano passado, executivos do Facebook anunciaram publicamente esforços para combater a circulação de notícias falsas em torno das eleições presidenciais no Brasil. A realidade, no entanto, foi mais complicada que o esperado. Depois da análise de dados internos, a companhia identificou problemas na capacidade de descobrir e combater comportamentos suspeitos ou desinformação disseminada em larga escala.

A conclusão está em um relatório produzido no ano passado pela empresa e compartilhado com seus funcionários. As informações foram publicadas pelo Wall Street Journal . Segundo o documento, a companhia não foi capaz de desmontar a rede que espalhou mentiras sobre a vereadora Marielle Franco, assassinada em março do ano passado. Algumas das páginas que tinham como objetivo difamá-la eram administradas por contas falsas, que foram deletadas pelo Facebook. Mas o desmonte durou pelo menos quatro meses.

Em paralelo, outros problemas surgiram envolvendo um aplicativo chamado Voxer, utilizado para fazer postagens em nome de outros usuários. O app, que não é ligado ao Facebook, tinha uma função denominada “Voxer Sharer”, descrita como uma ferramenta para compartilhamentos em massa. Segundo o relatório do Facebook, o MBL, ligado à direita brasileira, era um dos clientes da empresa e teria enviado mensagens para usuários do aplicativo pedindo autorização para que o grupo pudesse postar em seu nome. As mensagens incluíam dizeres como “O Brasil precisa de você”, “Você pode fazer a diferença” e afirmava que a rede social teria diminuído o alcance de publicações da direita.

Sobre a acusação, Nathaniel Gleicher, chefe da política de segurança cibernética do Facebook, afirmou que a companhia não exerceu influência sobre o alcance das publicações. Ele caracterizou os posts impulsionados pela Voxer, banida pelo Facebook em abril de 2018, como manipulação de massa e afirmou que a ação viola as regras da plataforma sobre falsas acusações com o objetivo de ganhar usuários. Ele também garante que as defesas da empresa se fortaleceram consideravelmente desde que o relatório foi escrito, em agosto de 2018.

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