Brasileiros estão entre os que mais temem efeitos de restrições à liberdade de expressão

MEDIA TALKS – 16/05/2021

Aldo De Luca

Estudo feito em 53 países apontou desigualdade econômica como principal ameaça à democracia global.

O Índice de Percepção da Democracia, o maior estudo do gênero realizado este ano em 53 países, mostra o Brasil entre as onze nações nas quais a população mais teme que restrições à liberdade de expressão afetem a democracia local. A pesquisa, realizada pela consultoria internacional Lotana sob encomenda da Aliança das Democracias, foi debatida na Cúpula das Democracias, encerrada no dia 11 de maio em Copenhagen, na Dinamarca.

A preocupação sobre limites à liberdade de expressão é vista como a segunda maior ameaça à democracia global, perdendo apenas para os riscos gerados pela desigualdade econômica. O percentual de brasileiros que apontam a liberdade de expressão como ameaça ao Estado democrático, de 60%, é superior ao da média global, que é de 53%. Entre os países latino-americanos, Colômbia e Venezuela são os países onde a população mais teme que barreiras à livre expressão afetem o Estado democrático.

A grande maioria dos brasileiros (81%) considera a desigualdade econômica a maior ameaça à democracia do país, bem acima da média global, de 64%. É o segundo maior índice de preocupação do mundo, empatado com Ucrânia e Quênia, e a apenas um ponto percentual da Nigéria, a primeira colocada.

Somente sete países não consideraram a desigualdade econômica como a principal ameaça à sua democracia. O país menos preocupado com esse risco é a Noruega, com praticamente metade do índice dos líderes do ranking (42%).

A pesquisa apontou ainda o crescimento do poder das gigantes tecnológicas como uma das maiores ameaças à democracia global. E incluiu o Brasil entre os seis países onde é maior o desejo por uma maior regulamentação das mídias sociais, embora o país apresente um dos 12 índices mais baixos de temor à ameaça das Big Techs.

O percentual de brasileiros que apontam a liberdade de expressão como ameaça ao Estado democrático, de 60%, é superior ao da média global, que é de 53%. Entre os países latino-americanos, Colômbia e Venezuela são os países onde a população mais teme que barreiras à livre expressão afetem o Estado democrático.

O Brasil ficou entre os 16 que mais temem os riscos causados por fraudes nas eleições e um dos 12 que veem mais riscos da interferência estrangeira nas eleições para um ambiente democrático.

Segundo a pesquisa, o  percentual de brasileiros que considera importante que seu país seja uma democracia é um dos treze maiores das 53 nações pesquisadas, mas em contrapartida é um dos 15 menores entre os que veem seu país como uma autêntica democracia. O Brasil é um dos dez países que apresentam o maior déficit entre a democracia que seu povo gostaria que fosse e a que sua população acredita que realmente seja, afirma a Aliança para as Democracias.

Os brasileiros estão entre os oito povos que mais sentem não ter democracia suficiente e entre os seis que mais acreditam que o governo de seu país atua em favor de uma minoria.

Como no ano passado, o estudo pesquisou também a satisfação da população de cada país com a resposta de seu governo à pandemia. Os brasileiros se mostraram os mais insatisfeitos com a resposta recebida, fazendo o Brasil permanecer na última colocação do ranking, a exemplo de 2020.

Dentre as três superpotências, os brasileiros, como o restante do mundo, consideram os Estados Unidos a maior ameaça à sua democracia. Mas depois da substituição de Trump por Biden, melhorou a avaliação do impacto dos Estados Unidos sobre a democracia global.

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