Brasil se destaca em confiança na mídia

ZERO HORA – 23/07/2019

O Brasil é um dos países onde os leitores mais confiam no conteúdo publicado por jornais e revistas e outros veículos de comunicação tradicionais. No estudo Trust in the Media (Confiança na Mídia), conduzido pela Ipsos, empresa de pesquisa de mercado independente, o país aparece em terceiro lugar no ranking nos veículos impressos, empatado com a Alemanha, com 65% dos entrevistados declarando confiar muito ou razoavelmente, enquanto o índice global é de 47%. Entre os meses de janeiro e fevereiro deste ano, o levantamento online foi realizado com 19,5 mil pessoas em 27 países.

A televisão e o rádio conquistaram o mesmo percentual de credibilidade: 65% dos brasileiros participantes da enquete afirmaram confiar nesses meios de comunicação. Sites de notícias e plataformas online ficaram com 58%.

Outras características da mídia também foram abordadas junto aos entrevistados. O Brasil está entre as nações que mais acreditam que jornais e revistas sejam relevantes, com 70% dos respondentes corroborando essa qualidade, frente a 54% da média mundial. Empatado com a Malásia, o Brasil se encontra atrás apenas da Índia (82%) e da África do Sul (74%). Televisão e rádio (69%) e sites de notícias e plataformas online (70%) igualmente obtiveram boa performance nesse quesito.

Quanto às intenções no desempenho de suas funções, jornais e revistas, mais uma vez, apresentaram resultados satisfatórios: 63% dos entrevistados brasileiros acham que esses veículos agem com boas intenções. No mundo, metade dos participantes pensa assim.

Diferenciais

Para Marcelo Rech, vice-presidente Editorial e Institucional do Grupo RBS e presidente da Associação Nacional de Jornais (ANJ), a pesquisa da Ipsos confirma uma série de sondagens que demonstram a ampla confiança do público nos veículos profissionais de comunicação no Brasil.

– Os jornais brasileiros estão no melhor padrão mundial, e alguns deles são referências internacionais em diferentes campos, como no jornalismo investigativo, design e transformação digital. Além disso, os jornais brasileiros têm uma tradição de independência e de pluralidade de visões, o que, em um mundo polarizado, passa a ser um diferencial muito relevante para leitores e anunciantes em busca de credibilidade – observa Rech.

Diretora executiva da Associação Nacional de Editores de Revistas (Aner), Juliana Toscano afirma que jornais e revistas impressos são, por sua história, a base do jornalismo, em especial o investigativo, além de oferecer a segmentação especializada.

– A maioria das pessoas está mais preocupada e consciente sobre os perigos da desinformação propagada nas mídias interativas em meio ao caótico ambiente hiperinformativo do meio digital. Há uma crescente percepção de que é preciso, mais do que nunca, uma fonte segura de informação, que ofereça alta credibilidade no relato dos fatos, distinguindo a verdade da falsidade. Ao mesmo tempo, aos poucos, consolida-se o entendimento de que somente o jornalismo profissional reúne as técnicas, os princípios éticos e a responsabilidade com a verdade que, juntos, garantem essa credibilidade – diz Juliana.

A representante da Aner é otimista quanto ao futuro.

– Esses índices podem crescer ainda mais a partir do constante investimento no jornalismo qualificado e, também, da promoção da educação midiática – acrescenta ela, destacando que a associação apoia iniciativas como o EducaMídia, do Instituto Palavra Aberta, que fomenta habilidades de interpretação crítica das informações e participação responsável na sociedade.

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