Distribuidora Brancaleone é a mais nova associada da Aner

25 de fevereiro de 2022

Carlos Romualdo é o diretor geral da Distribuidora Brancaleone. Imagem: reprodução de internet.

Depois de receber convites para participar de reuniões com os editores, na Comissão de Logística, e conhecer o trabalho da Associação, a Distribuidora Brancaleone decidiu entrar para o quadro de associados da Aner. E chega somando, na parceria com os editores, a experiência de quase 40 anos de trabalho de Carlos Romualdo na logística do mercado editorial.

Grande conhecedor do mercado de distribuição, onde atua desde 2010, Romualdo, que é diretor geral da Brancaleone, tem a consciência de que a colaboração mútua é a grande chave para a recuperação do mercado revista, incluindo aí toda a cadeia de trabalho, da produção até o consumidor final.

“A pandemia descapitalizou todo o mercado de revistas e é necessário encontrar novas fontes de renda, pensando tanto nas editoras quanto nos jornaleiros”, acredita, revelando uma de suas metas ao entrar para a Aner: “É preciso que os editores vejam os jornaleiros como parceiros de trabalho. Meu grande desafio é fazer o editor enxergar as bancas como um importante ponto de vendas. Que canal te entrega capilaridade de 2 mil pontos, se considerarmos somente a capital de São Paulo, para vender o produto? Eu posso me comunicar com esses pontos de venda todos os dias… Que outro mercado te possibilita isso?”, defende.

Histórico mesclado aos grandes do mercado

Desafios são uma constante na vida de Carlos Romualdo e da Brancaleone. Quando entrou como estagiário na Editora Abril, em 1985, ele não imaginava a responsabilidade que estaria no caminho. Passou pelas áreas financeira, tesouraria e contas a pagar, foi COO da Editora Peixes. Acompanhou as impressões das revistas na madrugada, enquanto estudava o processo de importação de papel na Finlândia para buscar formas de otimizar custos.

A Brancaleone surgiu em 2010, com nome de AR Distribuidora. Participou de leilão determinado pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) quando a Abril comprou a Fernando Chinaglia, sua principal concorrente na área de distribuição nacional. Na época, a Fernando Chinaglia era a segunda maior distribuidora de revistas do Brasil.

“O Cade aprovou a compra, mas exigiu que a Abril vendesse a operação de distribuição em SP e RJ. Na época, Angelo Rossi (ex-presidente da Aner entre 2004 e 2006) participou do leilão”, conta.

Com a transação, o Grupo Abril criou a Treelog, responsável por unificar a distribuição de livros (das editoras Ática e Scipione), de assinaturas (Editora Abril e outros clientes) e de revistas (Dinap e Fernando Chinaglia).

“A AR Distribuidora era o hub de distribuição para São Paulo e Rio de Janeiro. Toda a inteligência ficava na Abril, incluindo aí a parte de relacionamento, enquanto a AR Distribuidora fazia o operacional. Seguimos assim até meados de 2017 quando Treelog optou pelo distrato dos serviços prestados pela AR”, conta.

Já conhecida no mercado, a AR Distribuidora começou a ser procurada pelos editores, preocupados com crise da Abril. Em 2017, a Brancaleone foi criada para prestar serviços de distribuição.

“Nascemos com o alicerce da Panini, que acabava de sair da Abril e buscava parceiro para distribuir a copa de 2018. Foi estímulo para ter força e crescer. Depois, vieram a Ediouro e a Planeta DeAgostini. Em 2019 já tínhamos 17 editores e 2020, 22 empresas. Com o encerramento da Dinap e da Trilog em 2021, passamos a 78 editores clientes”.

Atualmente a Brancaleone atende 78 editores. Destes, 30 contratam a distribuição não só em São Paulo, mas também em outros estados do Brasil.

“Os outros 48 fazem sua distribuição para fora de São Paulo diretamente, usam outro distribuidor ou simplesmente não distribuem fora de São Paulo, capital, por serem muito pequenos. Tirando os grandes, que fazem distribuição por operação própria, a Brancaleone é a maior distribuidora do país”, explica Romualdo.

Queda nas vendas, pandemia e estradas sem manutenção

Romualdo não esconde a situação do mercado de revistas, que teve o movimento de queda intensificado por dois anos seguidos de pandemia.

“Estamos totalmente descapitalizados. Toda a cadeia do mercado, começando pela gráfica, editores, distribuidores, pontos de venda jornaleiros, revisteiros…. O encerramento das atividades de distribuição de revistas para terceiros da Abril e dois anos de covid seguidos descapitalizaram totalmente o mercado”, lamenta.

Neste sentido, a conversa da Brancaleone com a Aner tem sido colaborativa, principalmente com os editores.

“Conversamos muito com eles individualmente, dependendo da característica de cada editor. Alguns gostam de dividir sugestões de lançamento e pedem opinião sobre o mercado. Eu tento indicar pontos de dificuldades, e avaliar, de acordo com a nossa experiência, de que forma pode entrar no negócio correndo menor risco. Sugiro praças, mercados em que devem atuar, considerando o que os leitores estão buscando e as dificuldades de logística no Brasil, que são absurdas!”.

Justamente por conta das dificuldades de acesso, Romualdo explica que há regiões em que é praticamente impossível distribuir, mesmo utilizando a parceria para entregas e recolhimento de encalhe.

“Temos um pool de editores com distribuição própria a que nos unimos para fazer o transporte para o Nordeste. São transportadoras que fizeram a entrega e recolhimento de revistas a vida inteira, então sabem como operar e garantir a integridade do material. O que inviabiliza é a distância, a qualidade das estradas, o preço dos combustíveis”, conta. “O Norte está praticamente inviável para chegar. O Nordeste é uma região muito interessante, que tem participação no mercado de cerca de 10%, muito expressiva. Mas temos que fazer as entregas em linha, subindo até o ponto mais distante e recolhendo o encalhe na volta. Hoje, ter carga individualizada, não é viável”.

Confiança no trabalho da Aner

Por conta do empenho que vem sendo desenvolvido nos últimos anos, na Aner, a Brancaleone resolveu unir forças para colaborar com o mercado de revistas.

“Sinto que a Aner voltou à atividade há pouco tempo. Regina Bucco vem fazendo um excelente trabalho de recolocação e busca de negócios para a associação e os editores. O que ela conseguiu fazer é fantástico. Estou, de forma mais tímida, atendendo às demandas que me são apresentadas”.

O trabalho conjunto inclui a preparação de relatórios sobre o setor. Um deles será apresentado por Romualdo aos editores associados no dia 16 de março, mostrando dados de mercado, como faturamento por segmentos, e dando dicas de quais podem ser enxergados como promissores e quais são quase proibitivos.

“Não adianta olhar no próprio umbigo e pensar só em distribuição em São Paulo, porque editores não conseguem sobreviver distribuindo só em São Paulo”, destaca. “É necessário buscar opções para conquistar dinheiro novo, aumentar a parceria entre distribuidores, editores, sindicatos de jornaleiros, mudar a cabeça para entrar nesse hall. Só assim sobreviveremos”, finaliza.

Se você também quer ser um associado, clique aqui ou mande um e-mail para aner@aner.org.br e conheça as vantagens.

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