Blockchain: o ingrediente da comida do futuro

MEIO&MENSAGEM – 07/01/2020

Luiz Gustavo Pacete

Reputação. Esse pode ser um elemento fruto do uso de blockchain para marcas e empresas. Ainda que a tecnologia ainda careça de compreensão por parte do público em geral, pelo nível de complexidade técnico, seus efeitos, cada vez mais, começam a fazer sentido, inclusive no desenvolvimento da reputação de marcas. O setor de alimentos é um dos primeiros a serem impactados diretamente, por meio do uso dessa tecnologia, na garantia da origem do produto, que vai do cultivo à distribuição.

Durante a CES, a IBM apresentou a plataforma “Thank My Farmer”, um aplicativo móvel que permite que consumidores que apreciam café possam rastrear o produto, sua qualidade e origem, inclusive, possibilitando que a pessoa apoie o agricultor que cultivou os grãos em questão. A iniciativa foi desenvolvida por meio da junção de várias empresas, entidades e associações de produtores de café. Incluindo a brasileira Volcafe, a Beyers Koffie e a Federação Colombiana de produtores de café.

“Este projeto é um exemplo de como a tecnologia blockchain pode ativar um canal para mudanças reais dentro de cadeias e processos. É mais do que uma tecnologia comercial aspiracional, é usado hoje para transformar como as pessoas podem construir confiança nos bens que consomem. Para os negócios, pode gerar maior transparência e eficiência”, disse Raj Rao, gerente geral do IBM Food Trust.

O IBM Food Trust usa como base a digitalização de transações e dados de uma determinada cadeia fazendo com que todos os envolvidos tenham acesso e possam fazer a gestão dessas informações, o que inclui produtores, processadores, transportadores, varejistas, reguladores e consumidores. A tecnologia permite que os usuários autorizados dentro de uma cadeia tenha acesso aos dados.

Além da reputação de marcas, aumento de vendas também pode ser uma consequência do uso da tecnologia. O Carrefour vem testando o uso de blockchain para rastrear produtos como carne, leite e frutas de produtores locais, até as lojas. Emmanuel Delerm, gerente de projeto de blockchain do Carrefour, explica que o uso da tecnologia pode permitir um efeito dominó já que com a confiança da origem de uma carne vendida em uma loja, o cliente também entende que os outros produtos fazem parte de uma cadeia ética e sustentável.

A Albertsons, uma das maiores redes varejistas dos Estados Unidos testa a tecnologia na produção de alface com o objetivo de qualificar a cadeia desde os produtores até os transportadores. Globalmente, e no Brasil, a Nestlé também utiliza a tecnologia para gerenciar a integridade na cadeia de fornecimento de alimentos em todo o mundo.

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