Artigo 19 promove debate sobre violência contra comunicadoras brasileiras

PORTAL IMPRENSA  – 25/11/2020

ONG internacional que desde 1987 atua na defesa e promoção da liberdade de expressão e do acesso a informação, a Artigo 19 realiza nesta quinta (26), a partir de 18h30, o debate online “Censura e violência contra comunicadoras”.

O evento conta com participação de Gizele Martins, jornalista e comunicadora comunitária da Maré; Kátia Brasil, editora da Agência Amazônia Real; Emmanuel Pelegrini, promotor federal; e Janaina Garcia, da Jornalistas Contra o Assédio.

O evento terá três pautas principais, a começar pela atualização sobre os casos de agressões contra comunicadoras brasileiras. O evento também vai abordar o cenário de impunidade e o aumento no país de ataques no ambiente virtual partindo de agentes políticos. Por fim, o debate vai focar nos impactos dos ataques a mulheres jornalistas no contexto da pandemia.

Assédio furtivo
Segundo levantamento divulgado em março último pela Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo), a pedido da ONU, as jornalistas brasileiras foram alvo de 20 ataques e ofensas misóginas e machistas entre janeiro de 2019 e fevereiro deste ano.

Em 16 dos episódios, os autores foram autoridades públicas, como deputados federais e estaduais, ministros e o próprio presidente da República, Jair Bolsonaro.

Não há dados conclusivos, mas, com a intensificação das campanhas de desinformação e manipulação das redes sociais por políticos populistas, acredita-se que na pandemia o uso do machismo e da misoginia para desgastar a liberdade de imprensa tenha se agravado.

Além dos ataques explícitos, mulheres jornalistas sofrem com o chamado assédio furtivo, marcado pela discriminação de gênero dentro dos espaços de trabalho.

Em um estudo feito pelo Google News Lab, em 2017, 84% das jornalistas relataram já ter sofrido ao menos uma das seguintes situações de violência psicológica: insultos verbais; humilhação em público; abuso de poder ou autoridade; intimidação verbal escrita ou física; tentativa de danos a sua reputação; ameaça de perder o emprego em caso de gravidez; ameaças pela internet; ou insultos pela internet.

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