Análise: avanços do mercado editorial de revistas

23 de agosto de 2021

No meio da tempestade é difícil contabilizar os benefícios que ela trouxe para todos, mas o publisher veterano Bo Sacks se arriscou em um artigo em seu blog pessoal. Sacks faz um retrospecto do quanto o setor avançou e está avançando em opções criativas para mudar os modelos de produção e comercialização de notícias, e destaca o fato de que não há “receita de bolo”.

“Chegamos a um estágio no negócio de mídia de revistas em que não existe um caminho certo; só existe o seu caminho”, diz, referindo-se aos modelos de negócios de publicação

O publisher racionaliza o que quem está dentro do furacão muitas vezes não tem condições emocionais de analisar, resumindo o negócio de revistas de uma forma bastante simples.

“Reunimos nichos ou grupos díspares de público e criamos contêineres de pensamento para eles. Nós fabricamos e vendemos caixas de conteúdo que são construídas com átomos materiais ou éter digital. Fazemos isso com fins lucrativos. ”

Tendências gerais e os novos modelos

O texto segue falando sobre as tendências gerais e destaca os novos modelos de negócio. As revistas estão sendo obrigadas a se desvencilharem do antigo financiamento da publicidade e aumentarem a dedicação à satisfação do público.

Bo Sacks cita o COO da Burda International, Alfred Heintze: “Devemos nos tornar independentes das receitas de publicidade. Essa é a lição que aprendemos desde os anos 80 e 90. Todos os nossos modelos de negócios devem ser baseados na felicidade do consumidor . ”

Sacks lista alguns dos avanços e novos formatos de entregar conteúdo desenvolvido pelas empresas. A seleção vale para ideias a quem ainda não pensou em agregá-los ao seu negócio:

  • comércio eletrônico,
  • podcasts pagos e gratuitos,
  • boletins informativos pagos e gratuitos,
  • eventos,
  • clubes de vinho e clubes de viagens
  • publicações de interesse especial
  • ênfase em assinaturas pagas
  • newsletters

O último link tem destaque especial para o exemplo do New York Times, que têm cerca de 50 newsletters lidos por 15 milhões de pessoas semanalmente. Na semana passada, o jornal criou uma série de novos boletins informativos exclusivos para assinantes, de redatores de notícias e opinião. Além disso, alguns que já existiam foram transformados, hoje, em conteúdo pago (leia aqui).

Outra marca em destaque no texto é a Vogue, que está no meio de uma transformação global, impulsionada pela Condé Nast, que inclui níveis de associação e uma variedade de ofertas de comércio eletrônico de grande sucesso.

“Para adotar uma mentalidade moderna, um editor precisa de pessoas que entendam a necessidade de inovação constante e sem fim”, afirma Sacks.

Dados, métricas e muitos números

O outro aspecto positivo destacado por Bo Sacks é o conhecimento adquirido pelos publishers em relação às métricas e os dados: o retorno do público sobre cada conteúdo, cada produção. Atualmente a quantidade de informações disponíveis sobre o público que acessa o veículo é muito superior ao que poderíamos sonhar nos tempos em que pesquisas com leitores eram feitas por cartas. Com o passar do tempo e da crise, os publishers abriram os olhos para o quanto é importante conhecer o público leitor e as suas necessidades.

As métricas, inclusive, vêm causando problemas éticos sérios dentro das redações, principalmente as que decidem seguir caminhos questionáveis quanto à qualidade do conteúdo publicado, fazendo de tudo, a qualquer custo, para manter seus leitores.

Impressões que levam a lojas, podcasts que antecipam desejos

A lista de inovações segue adiante, proporcional à capacidade da mente humana de criar: novas imagens digitalizáveis ​​- sem a necessidade de códigos QR ou marcas d’água, que, uma vez digitalizadas, levarão os leitores diretamente a uma loja para obter mais informações e opções de compra. Vídeo e podcasts impulsionados por percepções em tempo real e recursos de inteligência preditiva. E as descobertas que fazem acreditar no futuro.

“Acho que podemos concluir que, com uma marca forte, uma revista pode ser qualquer coisa, passando de um conceito focado na mídia impressa para uma abordagem mais ampla, mais diversificada de mídia e “marcada” para a distribuição de conteúdo. Na nova abordagem, há muitas extensões da experiência da marca que levam ao sucesso da receita e, em muitos casos, impérios melhores, mais amplos e estáveis ​​do que no passado”, afirma Sacks.

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