Artigo: Internet Ameaçada – Lúcia Guimarães

“Quando não tinha cabelo grisalho e ainda denunciava desmandos de Washington, que decidiu adotar ao se mudar para lá, o então senador Barack Obama repetia nos discursos de campanha: seria o maior defensor da neutralidade da rede. Mesmo com a passagem da lei do Marco Civil da internet, é importante prestar atenção no que vai acontecer nos próximos meses nos Estados Unidos como resultado da quebra da promessa de Obama. A lei brasileira prevê a neutralidade mas, como de hábito, Deus está nos detalhes.

A neutralidade da rede é o sistema que nos permite acessar a internet como quem dirige em estradas públicas, sem tratamento preferencial. O fim da neutralidade da rede, para usar a analogia das estradas, seria o equivalente ter que escolher entre triplicar o tempo para chegar ao trabalho ou pagar pedágio a uma companhia privada para percorrer o trajeto mais rápido.

“Acho que isto destrói o que a internet tem de melhor: a igualdade. O Facebook e o Google poderiam não ter decolado sem o acesso igualitário à rede.” O candidato Obama disse isto em 2007. Mas, em 2013, o presidente Obama decidiu chamar uma raposa para tomar conta do galinheiro. Nomeou Tom Wheeler, um ex-lobista da indústria, para presidir a agência encarregada de manter a internet neutra, FCC, Comissão Federal de Comunicações. No dia 15 de maio, a FCC vai votar uma proposta de Wheeler, um tapa na cara de quem acreditou na promessa de Obama. Em vez de entrar para a história como o homem que preservou a praça para o povo, Wheeler arrisca ser lembrado como o burocrata que selou a desigualdade de acesso à rede.

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