#12: V Fórum é sucesso de público e crítica

[P]ublishers, editores, executivos de várias plataformas, publicitários, jornalistas e interessados reuniram-se na manhã do dia 12 de setembro no hotel Grand Hyatt, em São Paulo, para discutir sobre o mercado de revistas no maior encontro do setor. Após a recepção com um animado welcome coffee, onde os primeiros contatos começaram a ser feitos, os participantes se dirigiram a sala principal para o discurso de abertura, feito pelo presidente da ANER, Roberto Muylaert (leia abaixo, na íntegra).

"Porque Anunciar em Revistas"

Logo em seguida, o mediador José Carlos de Salles Gomes Neto (Meio&Mensagem) deu início ao painel “Porque anunciar em revistas”, que contou com Luiz Lara (ABAP), Thais Chede (Ed. Abril) e José Vicente Marino (Natura) apontando as vantagens de se investir na publicidade impressa em revistas. “Algo que tenha qualidade, prestígio e credibilidade é o que os anunciantes estão sempre procurando. Por isso mesmo as revistas não vão morrer”, decretou Luiz Lara.

"Mostre, Não Conte"

Um dos painéis mais animados do dia foi o “Mostre, não conte – Uso de infográficos para contar uma história”, que aconteceu logo em seguida. O mediador Luiz Fernando Sá (Ed. Três) teve a missão de reunir representantes de diferentes escolas de infografia em torno de uma só ideia: comunicar bem. Estiveram na mesa Alberto Cairo (Ed. Globo), Luiz Iria (Ed. Abril) e Pablo Loscri (El Clarín), todos com exemplos próprios de qualidade, mas voltados para os mais diferentes tipos de mídia e veículo.

Já em “Novas plataformas, novas linguagens, novos modelos de negócio”, mediado por Silvio Genesini (Grupo Estado), o digital, enfim, entrou em discussão. Youssef Mourad (Digital Pages), Sérgio Gwercman (Ed. Abril) e Marcelo Bartolomei (Caras) apresentaram propostas de utilização de conteúdo em novas mídias.

Além disso, o impresso também foi protagonista no painel “O papel do papel”, mediado por Nirlando Beirão (Ed. Três) e composto por Daniela Falcão (Globo/Condé Nast) e Alexandre Caldini (Ed. Abril). As três editoras representadas por eles publicam títulos com grande número de páginas e alta qualidade de conteúdo, o que se traduz em bons números de vendas das edições impressas. “Quando constato a beleza e a criatividade que podemos colocar no papel, minhas dúvidas (sobre o futuro) diminuem um pouco”, afirmou Beirão.

"Tablets: Novo Modelo de Negócios"

Em “Tablets: novo modelo de negócios”, o mediador Aydano Roriz (Ed. Europa) e os debatedores Leonardo Attuch (Brasil 247), Ivan Zumalde (MyMag) e Antonio Lapa (Woodwing Brasil) expuseram ideias do que podem vir a ser o futuro das revistas. Aydano lembrou a revista Natureza, uma das primeiras a ter versão para iPad; Attuch apresentou seu jornal para o tablet da Apple, o primeiro do Brasil; Zumalde demonstrou sua revista 100% customizável pelo leitor, que ainda escolhe se quer pagar ou deixar o custo para um anunciante; e, por fim, “amarrando” o assunto, Lapa deu exemplos de monetização em dispositivos móveis.

"Monocle: Um Novo Conceito de Revista"

Outro destaque do V Fórum ANER de Revistas foi a presença de Tyler Brûlé, criador da Wallpaper e atual publisher da Monocle, revista que se define como “de olho no mundo”. No painel “Monocle: Um novo conceito de revista”, o mediador Roberto Muylaert (ANER) e Frederic Kachar (Ed. Globo) sabatinaram o editor-chefe da publicação sobre diversos aspectos da produção da revista, como o uso de colaboradores ao redor do mundo e a criação de pautas.

Logo a seguir, outro destaque internacional do Fórum mostrou detalhes do produto que domina. Em “Marketplace, distribuição digital de conteúdo, banca virtual, novas oportunidades”, painel mediado por Alessandro Gerardi (Digisa), o espanhol Joan Solá explicou como funciona o Zinio, serviço que oferece milhares de revistas do mundo todo nos mais diversos dispositivos, de iPads a celulares com tecnologia Android, passando por computadores com Windows, Linux e Mac OSX. Nesta mesa, Fernando Cirne (Ed. Abril) ainda apresentou a IBA Store, banca virtual recém-lançada pela Abril, e Jonas Suassuna (Gol Mobile), que apresentou sua versão de newsstand O Jornaleiro.

No fim, mesmo após quase 10 horas de palestras, grande parte do público permaneceu na sala para ouvir Jairo Leal (Ed. Abril) no painel “O universo em evolução das editoras”, que trouxe números atuais e perspectivas sobre o futuro do mercado de revistas. No encerramento, foi a vez do vice-presidente da ANER, Fernando Costa (Ed. Abril), que destacou os pontos positivos das discussões ao longo do dia e encerrou oficialmente o evento.

V Fórum ANER: discurso de abertura de Roberto Muylaert
Há alguns anos, quando a gente chegava a um Fórum ANER, a idéia, além de rever os amigos, era discutir em que pé andava o mercado e quais eram os novos títulos, sempre impressos em papel. Esses temas seguem valendo, e vamos cuidar deles ao longo do dia. Mas a tendência irreversível agora é a de enveredar pela área digital, onde a gente sempre tem a impressão de que alguma coisa passou por nós despercebida, tamanha a avalanche de novidades que surgem.

Roberto Muylaert em foto de Sonia Mele

Aquele temor de que o papel desapareça foi substituído pela aceitação do digital e pela busca de  sua integração com o nosso trabalho tradicional. A própria revista The Economist precisou engolir a sua capa, um tanto precipitada, do ano 2006: “Quem matou os jornais?”. Mais ou menos como Mark Twain, comentando a notícia de sua morte: “Creio que houve um patente exagero no relato da minha morte”.

Buscamos agora interagir com o mundo digital, de forma a não perder oportunidades, e manter saudáveis as empresas do setor, que investem pesado na criação de conteúdo. Enquanto pagamos pela redação, a internet reproduz nossas revistas de graça, em mais de duzentos sites com nomes de gozação: “De graça é mais gostoso”; “Baixado não é roubado”; “Baixe na moleza”; “iPod baixar  tudo”; “Link Bão”; “Muambeiros”; “Piratas Virtuais”; “Netos do Salim”.

Graças ao nosso trabalho eles conseguem tráfego de visitantes em seus sites e acabam remunerados financeiramente pelo Google, ao veicular publicidade. Hoje a nossa missão é mais ou menos como trocar a roda de um carro em movimento. Enquanto batalhamos pelo crescimento das publicações impressas, precisamos nos atualizar e participar da área digital. E nem sempre as nossas idéias analógicas representam o estado da arte em informação.

Aconteceu comigo: Quando a Internet começou  a pegar, fiquei impressionado com a quantidade de sites que ninguém sabia como acessar. Foi aí que tive a idéia genial, depois imitada por Larry Page, do Google. Editar uma publicação grossa, calculei umas 400 páginas, capa dura, com todos os sites pesquisados, na unha, e todo mundo anunciando na publicação, para aumentar o número de visitantes em seus respectivos sites. Confesso que o Google desenvolveu melhor a  idéia, fazendo a busca digital…

A grande mudança que influencia o trabalho de todos nós é o sentido da comunicação, que, de mão única, passou a duas mãos de direção, onde o receptor da mensagem é também emissor, e não abre mão disso. O mais incrível é que um dos maiores furos de reportagem dos últimos tempos, o ataque de helicópteros a Osama Bin Laden, foi registrado por um simples tuiteiro, quando milhares de profissionais da comunicação estavam atrás dessa notícia.

Na década passada havia a busca de informações. Agora há troca de informações. Uma alteração radical de conceito. Mas nós acreditamos firmemente na hierarquização da notícia, território reservado aos editores, não importa a plataforma utilizada. Existe hoje uma saturação de informação, mas não de conhecimento. A formação de opinião é outra coisa: um processo lento, que depende da leitura de mais de uma versão dos fatos, em busca do contraditório que gera a síntese. O mundo tem visto um decréscimo de títulos de jornais e revistas nos países mais desenvolvidos, mas no Brasil os números são crescentes, como vocês verão em painéis no dia de hoje.

O número de páginas na internet se mede em bilhões, enquanto nas revistas e jornais impressos, se medem em milhões. Pela lei da oferta e da procura, é natural que a publicidade online seja mais barata, o que dificulta a viabilidade de alguns projetos de revisteiros, rumo ao digital. Mas nos continuamos crescendo, apesar de o Brasil ser um país pouco amigo do empreendedor.

É bom lembrar que o governo não gera recursos. Por isso mesmo, deveria cuidar melhor de quem recolhe impostos. Neste ano pagaremos um trilhão de reais para a União, Estados e Municípios. No entanto, o que temos pela frente é um cipoal de leis e exigências exageradas e mutantes, que chegam a por em dúvida até alguns preceitos constitucionais. É o caso da liberdade de expressão, da imunidade tributária do papel de imprensa, e da tentativa de controle social da mídia, uma ameaça que ressurge de tempos em tempos, em função de alguma reportagem que possa desafiar algum poder, constituído, ou não.

De outro lado existe um setor, este sim, reservado à atuação do governo, onde os progressos são lentos: a educação. E o nosso negócio depende de gente capaz de entender o significado de um texto. O Brasil costuma aproveitar os avanços tecnológicos para dar saltos na adoção das tecnologias mais modernas. As lideranças no Brasil precisam se unir para  encaminhar uma solução contemporânea para a educação, matriz de todos os problemas nacionais. A educação é a meta-síntese para um futuro brilhante do Brasil como Nação de primeiro mundo.

Concurso Capas: Revista Crescer fatura prêmio de capa do ano

[U]ma boa capa de revista não é somente aquela que comunica melhor e vende mais, mas também aquela que fica indelével na memória dos leitores. Partindo deste princípio, a ANER e o público selecionaram a grande capa de revista publicada no último ano no país.

Edição de dezembro de 2010 foi escolhida como a melhor capa do ano

Uma comissão julgadora selecionada pelo Conselho Diretor da ANER se debruçou sobre mais de 300 capas diferentes e escolheu as 16 finalistas, que ficaram expostas para voto popular no site oficial da competição de 11 de agosto a 4 de setembro.

Os três primeiros colocados foram anunciados no dia 12 de setembro, durante o V Fórum ANER, em São Paulo: em primeiro lugar, ficou a Revista Crescer (Ed. Globo), com a capa ao lado, composta por foto de Gustavo Lacerda, tratamento de Paulo Cabral, produção de Fátima Santos e direção de arte de Roberta d’Albuquerque. Paula Perim, diretora de redação da revista, subiu ao palco montado durante o almoço para receber o prêmio.

Paula Perim representou a Revista Crescer no prêmio de Melhor Capa do Ano - Foto: Sonia Mele

A capa representa um bebê recém-nascido (Anthony, de quatro meses) no colo da mãe (Priscila Uchôa) e questiona: Como a gente vira mãe?, reportagem de capa assinada por Cintia Marcucci (texto), Ana Paula Pontes e Simone Tinti (reportagem).

No ano passado, a Revista Época (Ed. Globo) havia conquistado o bicampeonato com uma capa que mostra o rosto de uma jovem em duas metades: uma saudável e a outra destruída pelas drogas. Neste ano, ficou apenas com o terceiro lugar, com uma capa de um elefante representando o Estado. Em segundo lugar, ficou a Revista Elle (Ed. Abril), com Gisele Bundchen na página frontal.

Editor 2011: Domingo Alzugaray é homenageado por sua obra

[R]esponsável por fundar a Editora Três há quase 40 anos, Domingo Alzugaray foi o nome escolhido para ser homenageado durante o almoço do V Fórum ANER de Revistas, no último dia 12 de setembro. O publisher não pôde comparecer por um “simples imprevisto pessoal”, como justificou seu filho Caco, que, ao lado da irmã Paula, o representou no evento e recebeu o troféu de Editor do Ano 2011 pelo conjunto da obra das mãos do presidente da ANER, Roberto Muylaert.

Caco representou o pai Domingo Alzugaray na homenagem de Editor do Ano 2011 - Foto: Sonia Mele

Emocionado, Caco Alzugaray agradeceu a homenagem, a qual classificou como “justíssima”, a um dos homens que, ao lado de Mino Carta, Thomaz Souto Corrêa, Roberto Civita e o próprio Muylaert, formou, nas palavras do próprio Caco, a “linha de frente da segunda geração de editores de revistas do país, só depois de Victor Civita e Adolfo Bloch”.

Bastante aplaudido ao final do discurso, Caco encerrou lembrando os ensinamentos do pai e empresário e o lema da editora fundada em 1973, quando Domingo Alzugaray deixou o cargo de principal executivo da Ed. Abril abaixo da família Civita para fundar sua própria editora. “É isso, pai, estamos aqui, vencendo a batalha e fazendo como você ensinou a mim e a todos da Três: por paixão!”.

Em seguida, Caco e Paula Alzugaray receberam os cumprimentos de Roberto Muylaert, com quem posaram para fotos. O prêmio Editor do Ano pelo conjunto da obra foi criado neste ano pela ANER e passará a ser oferecido a grandes nomes do mercado de revistas brasileiro, sempre durante o Fórum ANER de Revistas.

Coluna Social: Clique no mosaico e curta as fotos no Facebook

Clique no mosaico para acessar mais fotos do V Fórum ANER no Facebook

Na mídia: Reportagens e notas sobre o Fórum na imprensa

[P]ara ler o que saiu sobre o Fórum ANER na mídia, basta clicar no link de cada matéria abaixo. Fique tranquilo: uma nova janela será aberta e você poderá continuar lendo o boletim EMREVISTA ao mesmo tempo em que acompanha nosso clipping.

O Estado de S. Paulo: Revista busca modelo de negócios no meio digital

Valor Econômico: Tablets continuam desafiando modelo de negócio de revistas | ANER: Mercado de revistas cresce em títulos, mas não em publicidade | Revistas nos meios digitais carecem de modelo de negócios rentável

Meio & Mensagem: Revista Crescer ganha Capa do Ano | Revistas querem maior share do bolo | Infográfico também é jornalismo | Editoras lançam bancas virtuais

PropMark: Circulação de revistas cresce, mas share de publicidade vem caindo

Comunique-se (requer login/senha): Jornalistas avaliam a relação da revista impressa com as novas mídias | Presidente da ANER teme proposta de controle da mídia | Executivos de revistas esperam crescimento no share publicitário do setor

Portal Imprensa: Editoras discutem modelos digitais para contornar queda em receita publicitária

TV Caras: Entrevista com Roberto Muylaert, presidente da ANER

Revista Crescer: Revista Crescer ganha concurso de melhor capa do ano

Exame.com: Revistas buscam modelo de negócios no meio digital

Portal iG: Revistas nos meios digitais carecem de modelo rentável

Portal R7: Revistas buscam espaço no meio digital

CBL: Revista Crescer vence a Melhor Capa do Ano no V Fórum ANER de Revistas

Bônus: Visualize as apresentações dos palestrantes


» edição: Roberto Muylaert
» textos: Julio Simões
» fotos: Sonia Mele
» arte: Gustavo Curcio
» colaboração: Maria Célia Furtado, Raquel Stefani, Isabela Rosito e Adriana Alvarenga

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