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  Força de bloco pré-estatização causou retirada do setor privado

Daniel Bramatti

As entidades empresariais criticadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva por não participar da Conferência Nacional de Comunicação (Confecom) decidiram se retirar do encontro em agosto deste ano, quando tiveram os primeiros embates com os chamados "movimentos de base" - grupos que defendem maior intervenção estatal sobre a mídia. Na época, uma comissão se reuniu em Brasília para discutir a organização da conferência.

"Não temos nada contra os movimentos sociais, mas os representantes das empresas ficaram em minoria, em grande desvantagem", disse Roberto Muylaert, presidente da Associação Nacional dos Editores de Revistas (ANER), uma das seis entidades que se retiraram das negociações.

"Queríamos ter voz ativa, mas éramos voto vencido", relatou Miguel Ângelo Gobbi, presidente da Associação Nacional dos Jornais do Interior (Adjori-Brasil). Segundo Gobbi, as entidades empresariais participaram "de quase 45 horas de reuniões sem conseguir avançar".

O maior obstáculo nas negociações entre empresários e organizações não-governamentais era o apoio das últimas ao chamado controle social sobre a mídia. "Um controle desse tipo pressupõe uma mudança da Constituição, que atualmente assegura a livre-iniciativa", afirmou Muylaert, que também criticou a disposição das ONGs de propor a revisão de todo o marco regulatório do setor de comunicação.

"Controle social da mídia é algo que arrepia todo mundo", disse Gobbi. Para ele, o conceito é vago e abre brechas para iniciativas incompatíveis com a liberdade de expressão.

Anteontem, ao discursar na conferência, Lula atacou os empresários que decidiram abandonar o evento. "Não será enfiando a cabeça na areia como avestruz que resolveremos o problema." Para Roberto Muylaert, é preciso analisar as críticas do presidente no contexto em que foram feitas. "É um discurso adequado para aquela plateia", afirmou.

Procuradas, a Associação Nacional de Jornais (ANJ), a Associação Brasileira das Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), a Associação Brasileira de TV por Assinatura (ABTA) e a Associação Brasileira de Internet (Abranet) não se manifestaram.

Fonte: Jornal O Estado de São Paulo, 16/12/2009, página A10

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20091216/not_imp482710,0.php

 
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