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  Em busca de renovação, Sony amplia laços com o Google

Jornal Valor Econômico - 20/10/2009 - pág.B2 -

A coisa começa a ficar parecida com uma paixão adolescente. Na medida em que a Sony se recupera de perdas de bilhões de dólares, um flerte com o Google começa a ficar sério. Ela é a primeira fabricante de PCs a vender máquinas pré-carregadas com o navegador Chrome Web da gigante das buscas na internet; o leitor eletrônico de livros Sony Reader poderá baixar e-books em um formato apoiado pelo Google; e os telefones celulares da Sony Ericsson usarão o sistema operacional Android do Google.

O Google pode estar menos animado com a relação que a Sony, mas os avanços não deixarão de ser correspondidos. No último inverno americano (primeiro trimestre), a Sony convidou executivos do Google para discutir em Tóquio a integração do Android e outras ofertas do Google em aparelhos da Sony, segundo uma pessoa com conhecimento da reunião. "A Sony acredita que os produtos e os aplicativos do Google poderão ajudar a diferenciá-la dos concorrentes", afirma Tim Bajarin da Creative Strategies, uma consultoria especializada no setor de tecnologia.

A Sony não quis comentar o assunto, mas os laços com o Google claramente se encaixam nas ambições da companhia japonesa na área de software. Durante décadas a Sony se sobressaiu na fabricação de aparelhos eletrônicos, mas ela foi lenta no processo de ligação dos produtos uns com os outros, e aos acervos de música, cinema e programas de TV da companhia. Para acelerar esse processo, o executivo-chefe Howard Stringer encarregou há quatro anos o veterano da Apple Tim Schaaff da área de softwares. Em fevereiro, Stringer reorganizou a cúpula da companhia, recorrendo a executivos mais jovens que têm, segundo disse ele na ocasião, "uma mentalidade mais aberta e são mais centrados nos processos de rede". A aproximação do Google vai ajudar Stringer a acelerar o desenvolvimento de produtos que podem ser conectados à internet.

As medidas são parte de uma mudança da Sony em direção aos programas de fonte aberta. A internet está sendo inundada de fotografias de um celular Sony Ericsson de tela sensível ao toque, rodando no sistema operacional Android, de fonte aberta. Recentemente, a Sony lançou um aparelho de posicionamento global (GPS) que se sincroniza com o Google Maps para indicar onde as fotos foram tiradas, e agora ela está oferecendo uma câmara de vídeo que permite aos usuários baixar rapidamente videoclips para o YouTube. A companhia diz que também poderá permitir ao Google e outras criarem aplicativos para seu console de videogames PlayStation 3. "As tecnologias abertas são muito importantes para os consumidores", disse Schaaff em uma entrevista no ano passado. "Obviamente, não temos o monopólio da inovação."

Ainda é cedo para dizer se a estratégia vai valer a pena para a Sony. Sozinho, o Android não torna automaticamente os produtos da Sony mais fáceis de serem usados, ou mais compatíveis uns com os outros. E há o risco dos produtos da Sony começarem a ficar mais parecidos com os dos concorrentes. Samsung, HTC e Motorola já possuem telefones inteligentes rodando no Android e a Hewlett-Packard (HP) e a Asustek Computer estão estudando o uso do sistema operacional em minilaptops. E não há muito o que fazer para impedir que outras companhias ofereçam o navegador Chrome ou compatibilidade com o formato da Google em seus aparelhos. "Ganhar vantagem competitiva com um software de fonte aberta é difícil porque ele está disponível também aos concorrentes", diz Matthew Wilkins, analista da iSuppli.

Mesmo assim, usar o Chrome poderá devolver um certo glamour à marca Sony. O Android possibilita à Sony acesso instantâneo a uma loja on-line onde programadores independentes vendem milhares de aplicativos. Isso permitiria à companhia competir com os serviços similares da Apple, BlackBerry, Nokia e Microsoft. E na área de livros digitais, o leitor eletrônico Reader terá uma vantagem sobre o Kindle da Amazon, que pode baixar conteúdo apenas da Amazon.com. "A Sony sabe que não pode designar pessoal suficiente para trabalhar com todas essas coisas", diz Richard Doherty, diretor de análises da Envisioneering Group, uma consultoria de Seaford, Nova York. "Ela não pode fazer isso sozinha."

 
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