"Assim como Pierre Lamunière, Don Kummerfeld e quase todos aqui no Congresso da FIPP, eu também acredito que centenas de milhões de pessoas no mundo todo continuarão a ler e a precisar de revistas durante as próximas décadas.
Na minha opinião, o fato de que em algum momento - não tão distante - as revistas provavelmente não serão mais impressas em papel, não é um razão para preocupação.
Pelo contrário, eu acredito que os novos aparelhos que surgem no horizonte - como a tinta digital (e-ink) e as variações maiores e mais aperfeiçoadas do Kindle - nos dará uma oportunidade ímpar de oferecer aos nossos leitores a oportunidade de interagir conosco, fazer perguntas, debater com nossos editores, obter informações adicionais, ler edições anteriores, assistir vídeos, conversar (ou debater) com outras pessoas com interesses similares, sugerir matérias, e comprar - online - os produtos e serviços destacados pelas revistas.
Devemos continuar a aprender como aproveitar a nossa autoridade, credibilidade, conhecimento sobre assuntos específicos, e reputação - em resumo, nossas marcas - com o objetivo de atrair os leitores para interagir com nossas revistas e explorar as suas áreas de especialidades de uma maneira que não seria possível somente com uma revista impressa em papel.
Devemos criar uma interface contínua entre as revistas tradicionais e as suas versões digitais para que o leitor possa transitar entre ambas sem nenhum problema.
A pergunta crucial não se refere a que tipo de "superfície", mas sim ao tipo de coisa que o leitor quer ler, ver, ouvir, encontrar, fazer e comprar.
Os leitores nos procuram por causa do nosso conteúdo. Pela nossa capacidade de descobrir, priorizar, organizar, analisar, verificar e apresentar coisas que eles querem saber de uma maneira inteligente, interessante e atraente. É para isso que os publishers servem. É para isso que os jornalistas servem. É para isso que as revistas servem!
Quem melhor sabe sobre o que acontece de relevante em cada uma de nossas áreas de interesse?
Quem melhor sabe como destilar as essências e dar sentindo à interminável torrente de informação que engolfa o habitante de nosso inquieto planeta?
Quem melhor sabe onde pesquisar, quem entrevistar, fotografar, consultar, quais os gráficos e infográficos relevantes e qual o significado de tudo isso?
Quem sabe melhor aonde ir, o que procurar, e o que é melhor comprar?
NÓS SABEMOS!
A questão é a seguinte: se vai haver uma dimensão eletrônica - é obvio que já há uma - vamos acrescentar essa dimensão ao que nós já fazemos.
Por isso - eu repito - não importa qual seja o meio, ninguém está em melhor posição para falar sobre noivas e bebês, malhação, coisas do coração, decoração de interiores e a expansão do universo, dietas e tecnologia, poluição e política, moda e culinária, turismo e negócios, carros, maratonas, pesca, e até mesmo computadores do que as pessoas que atualmente publicam as grandes revistas que cobrem esses temas no mundo inteiro.
Como vamos pagar por esses serviços adicionais? Primeiramente, insistindo na cobrança pelo nosso conteúdo. É obvio para mim - e espero que para vocês também - que não podemos continuar oferecendo nosso precioso conteúdo de graça. Especialmente se esse conteúdo é único, original, irresistível e criativo. Além disso, devemos continuar oferecendo aos nossos anunciantes a oportunidade de alcançar as pessoas que nos procuram em busca de informações específicas - dando-lhes a oportunidade de atingir seus melhores clientes com eficiência e precisão cada vez maiores. Por último, participando do comércio eletrônico que nossos sites estão em posição ideal para oferecer, apresentando links diretos tanto para os anunciantes como para os produtos e serviços mencionados em nossas páginas.
Para executar tudo isso de maneira eficaz e lucrativa, devemos continuar a valorizar as coisas que tornaram as nossas publicações o que elas são hoje: permanecer atento as características e interesses em mutação de nossos leitores, nos esforçar para manter e aprimorar a excelência editorial, e manter a nossa integridade e os princípios éticos que são as fundações de nosso maior ativo - a nossa credibilidade.
Portanto - embora eu espere que continuemos todos discípulos de Gutenberg por um bom tempo - realmente não importa se as nossas revistas serão impressas, transmitidas digitalmente ou engolidas em forma de pílula. Nossa função continua a mesma: manter nossos leitores bem informados, aconselhados, entretidos, surpreendidos (nunca se esqueça da importância do acaso fortuito), alertados e - se possível - iluminados.
O melhor meio para tudo isso, caros amigos e colegas, continuará sendo aquele de nossas revistas - complementadas, enriquecidas e expandidas digitalmente, mas ainda criadas e publicadas com a nossa chancela - por um bom tempo.
Obrigado."